voltarei a vê-lo no céu
por Sra. Yasuyo Sugimoto
País: Japão




Esta é a história dos nove
anos que eu passei com o
meu querido filho Yuki, que
faleceu de câncer infantil.

Câncer Infantil
Nascido com quatro quilos e cabelo surpreendentemente sedoso, eu ainda me lembro de Yuki nos meus braços como se fosse ontem.

Yuki tinha quatro anos e ainda estava no jardim-de-infância quando nele diagnosticaram neuroblastoma. Eu fiquei zonza quando descobri que se tratava de um tipo de câncer infantil. Pior, a doença se achava em estágio avançadíssimo, aliás, era possível que Yuki não tivesse nem cinco anos de vida. Ele foi internado imediatamente para iniciar o tratamento. Eu chorava escondida quando o meu filhinho suportava a aplicação da quimioterapia. A dor e o medo de perdê-lo eram insuportáveis.

Eu tinha chorado mais uma vez, enquanto Yuki dormia, quando meu marido me deu um livro intitulado Seja Infinitamente Bom, da Happy Science. Já tinha visto outros livros da mesma editora na estante de casa, mas nunca os havia lido. “Uma religião...”, resmunguei ao abrir o livro para ler.

Li as seguintes palavras: “Eu não lhes peço que orem a uma coisa remota ou que adorem um ser muito longínquo, fora deste mundo. Eu lhes peço que olhem para o seu próprio coração e vejam a luz do amor dentro dele.

“Olhar para o meu coração?” Eu estava com a cabeça cheia de pensamentos negativos. Duvidava que pudesse encontrar a luz do amor por mais que tentasse, mas queria saber se havia alguma coisa que eu podia fazer por Yuki. Li o livro inteiro como que impelida por uma força poderosa. Em breve, estava de mãos unidas, recitando a oração escrita no livro.

Apesar do meu preconceito de palavras como “religião” e “Fé”, percebi que havia muita coisa que eu não sabia. Pensava que rezar era só pedir ajuda a Deus, mas a oração fez com que me sentisse agradecida por coisas a que eu costumava não dar opo menor valor, e isso me fez bem. Orar por gratidão serenou o meu coração e me deixou em paz.

“Eu não vivo a vida sozinha. O tempo de que agora disponho me foi dado.”

Senti que finalmente tive um vislumbre de uma existência que era grande demais para que eu a pudesse enxergar.

Quando voltei para casa para trocar de roupa, tirei da estante um livro intitulado Coração Inabalável. Comecei a folheá-lo, e a seção chamada “Noites de Insônia” chamou a minha atenção.

“Primeiro, as noites de insônia não duram muito. Ninguém passa três ou quatro anos sem poder dormir -- trata-se de um estado temporário, nada mais. Outro fato é que sua alma se tempera nesse período. Nessas ocasiões, o que importa é quanto cada um consegue forjar e temperar a alma para aprimorá- la. Caso você fique constantemente acordado durante a noite, em vez de decidir às pressas o que fazer, procure suportar esse período.” (de Coração Inabalável)

Não Chore, Mamãe
O pesado fardo da incerteza que me oprimia ficou mais leve. “Por que eu estou passando por isso?”, perguntei. Prosseguindo a leitura em busca de respostas, descobri que os seres humanos têm vida eterna, que todos nós temos alma, e que a alma vive eternamente. Nascemos neste mundo a fim de treinar a alma, e, como a vida não é só esta, precisamos de muito esforço para nos aperfeiçoar. Este corpo físico que eu pensava que era eu não passa de um veículo temporário da alma durante o tempo que eu passar na terra. Ela, sim, é o meu verdadeiro eu.

Foi uma revelação chocante para mim, que não conseguia pensar senão no meu medo de perder Yuki. Por isso, quando descobri que os seres humanos somos a alma, a ideia de que a alma de Yuki continuaria viva mesmo que seu corpo físico morresse deixou-me muito comovida. A luta contra o câncer era como andar no escuro sem enxergar uma saída. Saber que suportar aquela dificuldade tinha sentido deu-me paz. No entanto, ter uma ideia a respeito da vida é muito diferente de resolver efetivamente os problemas. Uma noite, eu estava chorando pela minha incapacidade de auxiliá-lo, quando Yuki, que eu pensei que estivesse dormindo, disse: “Não chore, mamãe. Eu estou fazendo o possível, não chore mais.” Estava olhando para mim com tanto desespero, nunca senti tanta vergonha de mim por causar preocupação a uma criança tão pequena.

Uma Força Assombrosa
Um dia, quando terminei a minha oração matinal, ocorreu-me uma coisa.

“Yuki sempre me pede para sorrir.” Depois disso, o desafio passou a ser como fazer com que cada dia fosse alegre. “Mamãe, do que nós vamos brincar hoje?”

Essa era a discussão com que iniciávamos todos os dias. Quando nós construímos uma girafa com blocos, as enfermeiras nos deixaram expôla no balcão da enfermaria por sugestão de Yuki. Ver as pessoas felizes era o que o fazia mais feliz.

Nós todos estamos ligados pelo coração, e muito mais quando se trata de pais e filhos. Quando eu chorava, Yuki ficava triste, quando eu sorria, ele também se alegrava, dizendo, “Um rosto sorridente é bom mesmo, hem?”

Yuki tinha seis anos quando foi autorizado a voltar para casa uma vez por mês e, pouco a pouco, começou a ir à escola. Era uma bênção passarmos todos os dias juntos. Graças ao meu marido, Yuki e eu ingressamos na Happy Science. Em pouco tempo, a fé dele ficou mais forte do que a do meu marido ou a minha, tanto que ele até me corrigia quando eu não me inclinava adequadamente. Admirada, um dia eu lhe perguntei: “Por que você consegue acreditar tanto em Deus?” A resposta foi: “Mamãe, por que você não consegue acreditar em Deus?” Talvez o motivo de ele ser tão forte de coração fosse saber melhor do que ninguém que Deus estava sempre com ele.

.Durante um exame de rotina, quando a enfermeira tentou colher sangue dele e não conseguiu, Yuki disse, “Tente de novo. Eu sou um menino forte, não precisa se preocupar”, estimulando-a. A enfermeira ficou com lágrimas nos olhos.

Outra ocasião em que sua resistência me surpreendeu foi numa tarde, pouco depois de começar a frequentar a escola, ele me contou: “Jeremy disse que eu sou careca.” Era o que eu temia: que os colegas de escola zombassem dele por não ter cabelo em consequência da quimioterapia. “Mas é verdade”, prosseguiu Yuki, “Eu teria dito a mesma coisa se eu fosse Jeremy.” Fiquei assombrada com a força que ele tinha adquirido.

O Câncer se Alastra
No inverno da terceira série, nós fomos fazer os exames rotineiros quando se constatou que o câncer tinha se alastrado pelo corpo todo. “Ele não vai viver muito tempo”, disse o médico.

Eu estava preparada para o que ia acontecer e acreditava que a vida não se restringe ao tempo que passamos neste mundo. Mas enfrentar aquela realidade que eu era incapaz de alterar foi um choque terrível.

Como se enxergasse dentro de mim, Yuki disse: “Mamãe, eu sei por que estou doente. Estou doente porque Deus sabe que eu sou um menino capaz de vencer esta doença. Ele tem cem por cento de confiança em mim. Ainda bem que sou eu. Outro garoto talvez não fosse capaz de vencê-la.”

Yuki nunca se queixava nem chorava. Aliás, quanto mais difícil ficava a situação, mais ele mostrava certeza de que estava bem. Firmemente assentado no alicerce chamado Fé, lutando bravamente para não deixar que o seu estado o abatesse -- era como se ele soubesse desde sempre que sua vida neste mundo era para o treinamento da alma.

A Última Internação
Um ano depois, o estado de Yuki piorou e ele precisou ser hospitalizado. Eu tive o triste pressentimento de que aquela era a sua última internação. Ele tinha nove anos. Eu perguntei ao médico: “Quanto tempo Yuki tem de vida?”

“Este Natal pode ser seu último.”
“Sendo assim, deixe-me fazer tudo que puder para que não haja remorso.”

Eu esfregava as costas de Yuki o dia todo na tentativa de distraí- lo da dor, mas, de madrugada, comecei a cochilar e parei a mão um instante. Ele disse de repente: “Mamãe, você vive dizendo que me ama, mas, se for verdade mesmo, mostre.” Eu acordei imediatamente. Como se suas palavras me tivessem tirado de algum lugar, eu pensei: “Achei que estava fazendo o suficiente por Yuki, mas talvez fosse menos por ele do que por mim mesma, tratando de retê-lo ainda que só por mais um segundo. Se eu estivesse lhe causando dor no meu empenho em retê-lo, o melhor era parar. Não quero me arrepender de nada.” Graças a Yuki, fui capaz de enfrentar o meu eu interior. Senti que podia colocar Yuki nas mãos de Deus.

Não sei quanto tempo havia passado quando Yuki disse, “Mamãe, obrigado por ser minha mãe.”

“Por que você diz isso? Sou eu que tenho de lhe agradecer ser meu filho...” Não consegui refrear as lágrimas.

Lembrando o meu querido Yuki...
... Ele tinha só quatro anos quando desenvolveu o câncer e precisou ser internado, mas não disse uma única vez que queria voltar para casa...
... Por mais doloroso que fosse, ele nunca se queixou da dor ou de estar sofrendo tanto por consideração pelos demais, tampouco disse uma palavra negativa sobre sua doença...
... Quando eu chorava na enfermaria à noite, ele dizia, “Não chore, mamãe” e procurava me alegrar...
... Ele chamava as cicatrizes das operações de “sua prova de coragem”...
... Por mais que o tratamento o esgotasse, ele o suportava...

Yuki ficou repetindo, baixinho, a palavra “obrigado” até o último alento. Ao vê-lo partir, todos os presentes ficaram agradecidos, pois Yuki continuou dando amor até o fim. Eu sempre pensei que o amor que a gente dá vai embora, se perde. Mas agora sei que, em troca do amor que dá, a gente recebe a gratidão do ente querido e que a luz do amor de Deus brilha na gente. Foi o que Yuki me ensinou. Uma vez ele disse, “Você e papai vão voltar a ser só os
dois, mas vão ficar bem.” Sim, nós estamos bem. Estamos cuidando muito das sementes de amor que você plantou no nosso coração, e eu estou ansiosa por voltar a vê-lo no céu..

por Sra. Yasuyo Sugimoto



“Nós todos estamos ligados pelo coração, e muito mais quando se trata de pais e filhos. Quando eu chorava, Yuki ficava triste, quando eu sorria, ele também se alegrava (...)”

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