A Vida é um Caderno de Exercícios
por Kaoru Komatsu
Eu tinha vinte anos quando me casei; e o meu marido, 23. Sempre muito franca e direta, a minha mãe nunca escondeu que era absolutamente contra o nosso casamento, pois nos considerava ainda muito jovens. Para ser sincera, eu bem que estava apreensiva com a ideia, mas, na época, a minha vida girava em tor no ao desejo de me rebelar contra ela. Fui em frente e me casei com ele, e logo dei à luz uma linda menininha chamada Arisa. Nós levávamos uma vida feliz, mas quando Arisa completou três meses e eu percebi que ela ainda não conseguia levantar a cabeça, comecei a me preocupar e a levei ao médico. Fiquei arrasada com o resultado dos exames. A minha filha tinha paralisia cerebral e seu cérebro não estava se desenvolvendo adequadamente.

Fiquei ansiosa com o seu futuro, mas, afortunadamente, a doença só a afetou de leve. Com a ajuda dos programas de terapia, ela não tardou a aprender a andar. Antes que eu tivesse tempo de exalar um suspiro de alívio, fui abençoada com a minha segunda gravidez. Tinha certeza de que dessa vez o bebê ia nascer com saúde, mas a minha esperança se esfumou rapidamente. Pouco tempo depois do parto, também diagnosticaram em Takefumi um caso de paralisia cerebral mais grave que o da irmã. Por que isso acontecera comigo, com os meus dois filhos? A vida feliz a que eu aspirava esfarelou-se diante dos meus olhos; de repente, o futuro que parecia tão brilhante e promissor deixou de sê-lo.

Por mais que eu tentasse, Takefumi não aprendia a andar. Tinha dificuldade para dormir e, com muita frequência, passava a noite toda chorando. Durante o dia, queria passear, de modo que eu percorria toda a cidade de Kyoto empurrando o carrinho de bebê. O sor riso feliz e inocente dos meus filhos me estimulava e me enchia de força para prosseguir, mas eu não dava conta de tudo sozinha. Queria contar com o meu marido, mas ele parecia mais interessado no trabalho que na família. Deixava o cuidado da casa e das crianças para mim e mergulhava de corpo e alma no trabalho. Raramente nós conversávamos a sério. Talvez tivéssemos nos casado muito cedo. Era como se ele não pudesse aceitar a deficiência dos filhos.

Consegui matricular Arisa numa escola de crianças normais – mas ela tirava as piores notas e era objeto constante da zombaria dos colegas. Doía-me muito pensar na pouquíssima chance que meus filhos teriam no futuro, mas eu dizia a mim mesma que era preciso continuar, que um dia eles seriam capazes de brilhar. Enquanto esse dia não chegasse, eu precisava ser forte por eles.

A Doença
No entanto, esgotada física e emocionalmente, eu fui me recolhendo, já quase não saía de casa e, à mercê da solidão e da incerteza, vivia chorando pelos cantos. Vendo o meu estado cada vez pior, o meu marido finalmente decidiu tirar férias e levar a família ao Havaí. A viagem foi maravilhosa, mas durou pouco. No táxi, indo do aeroporto para casa, a sensação de não saber como seguir adiante foi tão esmagadora que eu não aguentei, mal podia respirar. Em casa, o ar estava tão carregado que eu não tinha sossego. Quando anoiteceu, foi como se a escuridão fosse me engolir. Com medo e sem conseguir pegar no sono, saí sem rumo pelas ruas escuras.

Quando finalmente me diagnosticaram, disseram que o nome da minha doença era esquizofrenia. Desde então, eu já não podia ir a lugar nenhum sem os remédios que me prescreveram. A lembrança que guardo desse período da vida é nebulosa: como se eu estivesse vagando numa terra estrangeira, sempre com medo, sempre querendo fugir da dor de viver. Fui hospitalizada muitas vezes, cheguei a ficar no isolamento e tentei suicídio tomando uma overdose de remédio. Só sabia pensar em me evadir de tudo.

Dez anos depois, eu ainda estava às voltas com a esquizofrenia quando o meu marido morreu subitamente de ataque cardíaco. Deixou-me com uma dívida de 300 08 experiência de vida | a vida é um caderno de exercícios milhões de ienes (aproximadamente 5,7 milhões de reais) na sua empresa, a conta da cirurgia por pagar e a despesa de tratamento e educação de dois filhos, para não falar na minha esquizofrenia. Essa realidade terrível deixou-me simplesmente arrasada.

A Descoberta da Happy Science
Para pagar a dívida, vendi a casa e me mudei com os meus filhos para um apartamento. Foi nessa época que o sr. Saiki, um parceiro de negócios do meu marido, me deu o livro As Leis do Sol. Quando o li, fiquei admirada com a clareza com que dava resposta às muitas dúvidas que eu tinha a respeito da vida.

Logo depois, comecei a frequentar o templo local da Happy Science, onde fazia trabalho voluntário e participava de diversos eventos. Entretanto, quando o meu estado de saúde piorava, era uma luta ler os livros do mestre Okawa. Tentei assistir às suas palestras, mas a sua voz sumia em meio a um rumor no meu ouvido, de modo que eu não captava mais do que uma imagem borrada dele falando; ouvir as fitas cassete de suas palestras fazia com que me sentisse sufocada.

Quando eu melhorava, podia diminuir a quantidade de remédios, mas isso só servia para que eu voltasse a piorar. Os medicamentos me deixavam extremamente cansada. Quando eu me perguntava quanto tempo ainda teria de viver com aquela enfermidade, ficava profundamente desesperada. Houve ocasiões em que tomei consciência, subitamente, de que estava perambulando pelas ruas de madrugada, como que conduzida por uma coisa invisível, e precisei tomar um táxi para voltar para casa. Certa manhã, encontraram-me desacordada à beira do rio e chamaram a polícia. Tinha perdido os sapatos durante a noite e estava com os calcanhares sangrando. Só posso agradecer aos amigos do templo que me ajudaram a cuidar dos meninos nesse período.

Quando eu estava bem, consegui estudar a doutrina e, quanto mais a estudava, mais crescia a minha convicção sobre a sua Verdade. “Se Deus diz que não existe coincidência, a minha doença há de ter um significado!” Eu me agarrei a essa esperança a fim de me estimular a combater a minha moléstia.

Felizmente, o apartamento que o meu marido possuía foi vendido e isso me permitiu amortizar as dívidas. Assim, voltei para a casa da minha família na província de Mie. Lá fui apresentada a um psiquiatra que também era membro da Happy Science. O que ele me disse depois do primeiro exame foi uma grande surpresa: “Kaoru, o seu estado não é grave. É curável.”

Fiquei sem saber o que dizer. “Os remédios só existem para ajudar”, prosseguiu ele. “Você só vai se curar quando mudar o estado do seu coração. A partir de hoje, limpe a sua casa, mas sempre tendo pensamentos de gratidão, e leia diariamente os livros do mestre Okawa em voz alta.”

Mudar o estado do meu coração? Fazer a faxina? Como ele quer que eu faça isso no estado em que me encontro? Eu não acreditava, mas estava louca para sarar. Comecei a fazer a limpeza e, ao mesmo tempo, repetia: “Obrigada, papai; obrigada, mamãe; obrigada, Arisa; obrigada, Takefumi...” Repetia as palavras muitas e muitas vezes, mas elas não vinham do coração. Aqui dentro, eu continuava frustrada e com raiva porque não me agradeciam e nem mesmo reconheciam que eu estava “fazendo um traba lho manua l pesado”; limpando a casa apesar do meu estado.

Também tentei ler os livros em voz alta, mas era como se os meus ouvidos estivessem tapados. Eu não conseguia entender o que lia. Se a vida é uma prova, receber amor e ser amada é o que mais impor ta, mesmo que a gente saiba que amor é uma coisa que se dá, não que se recebe. Eu queria ser amada. Queria ser compreendida. Não sabia por que ninguém entendia nem se preocupava com o muito que eu estava sofrendo. Mesmo assim, continuei fazendo a faxina e lendo.

Removendo a Ferrugem do Coração
Já fazia alguns meses que eu estava nisso quando, um dia, ao terminar o trabalho como de costume, senti uma leveza que nunca tinha sentido até então. No começo, não consegui entender do que se tratava, mas sabia que eu estava maravilhosamente bem.

Em geral, sentia o corpo cansado e pesado; nunca me sentia bem depois da limpeza da casa. Mas naquele dia eu me senti tão bem que tive vontade de fazer a faxina todo dia só para experimentar aquela sensação. Já não era importante ser reconhecida pelo meu esforço: eu queria fazer a limpeza porque queria a casa limpa. Mais ou menos nessa época, também comecei a entender o significado das palavras que lia em voz alta. Percebi que, com a atividade de arrumar a casa, eu removia as impurezas do meu coração.

Desse dia em diante, o meu estado de saúde nunca mais piorou por eu ter deixado de tomar o remédio. Perguntei ao médico se eu podia parar de vez com a medicação, e ele respondeu com um eufórico “Sim!” Com a aprovação do médico, fiquei oficialmente curada da minha doença. Isso me deixou tão contente que eu era capaz de levitar.

Olhando para trás hoje, percebo que mesmo naqueles momentos de sofr imento e luta, eu sempre contei com o apoio do amor dos meus filhos, do meu marido, dos meus pais, dos amigos e de Deus. Com dois filhos que precisavam de cuidado especial, o meu marido morto e eu mesma com esquizofrenia, a minha vida ficou, de fato, abarrotada de sofrimento e luta. Mas sem essas provações, não sei se eu teria conseguido sair do “eu” que só sabia pensar em si e chegar a compreender o que são amor e felicidade verdadeiros.

Atualmente, as palavras “A vida é um caderno de exercícios” e “Deus nunca lhe dá mais do que você pode carregar” soam como verdade ao meu coração. Há muitas ocasiões de sofrimento e tristeza na vida. Antes de encontrar essa doutrina, eu me deixava esmagar pelo desespero toda vez que enfrentava esses períodos difíceis. Entretanto, agora que sei que a provação e o sofrimento existem para desenvolver a minha alma, sei que nada tenho a temer; a minha fé no Senhor e uma forte convicção acerca da Verdade tornaram-me forte.

Agora tenho emprego e, nas horas vagas, faço trabalho voluntário no temorando com minha filha 12 experiência de vida | a vida é um caderno de exercícios plo da Happy Science. Arisa é coordenadora de assistência social e ajuda artistas deficientes a criarem e venderem suas obras. Takefumi vive feliz com outros como ele. Quanto a mim, o meu desejo é usar a vida em benefício do maior número de pessoas possível. O meu coração está repleto de felicidade sabendo que as minhas experiências podem ajudar muita gente que, atualmente, está enfrentado dificuldades parecidas com as que eu enfrentei. Espero oferecer todo o apoio e orientação que puder.

A Arisa e Takefumi, que optaram por ter uma vida dificílima e também decidiram ser meus filhos, muito obrigada. Foi o sorriso de vocês que me deu força para enfrentar aqueles tempos difíceis. Eu não teria me recuperado se vocês não existissem para me ajudar. Vocês cresceram para ser fortes; eu sempre rezarei para que a sua vida seja cheia de felicidade.

por Kaoru Komatsu

“...não devemos encarar este mundo como um mundo de sofrimento e tristeza, devemos, isto sim, reconhecer que tais sentimentos existem para servir de esmeril com que polir a nossa alma, e devemos nos empenhar em p roduzir algo melhor. É como o processo pelo qual a pedra p reciosa bruta finalmente começa a emanar luz e b rilho depois de lap idada e polida.”
[ As Leis da Eternidade ]
Histórias de
Experiência de Vida
Revista 193:
“Como Eu Venci o Câncer de Mama”
Revista 193:
Perder Tudo me Levou a Ganhar a Maior Felicidade
Revista 192:
Um a Segunda Chance na Vida Através da Fé
Revista 191:
Da Pura Fé a uma
Vida de Prosperidade
Revista 190:
O Meu Tumor Desapareceu em Apenas Dois Meses
Revista 189:
Três relatos de participantes do retiro: “Os Oito Corretos Caminhos”
Revista 188:
Refletindo Sobre
a Infância

Experiência de Ursula Forster
Revista 187:
Despertando
para a Luz Interior

Experiência de Yuko von Rothkirch
Revista 186:
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A Coragem de Viver Criativamente
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Lidando com meu filho rebelde
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Revista 178:
A vida é um caderno de exercícios
Experiência de Kaoru Komatsu
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Um novo modo de crescer
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A adversidade é a maior oportunidade
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Superando o meu ego com a Verdade
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Revista 173:
Voltarei a vê-lo no céu
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