Trazendo mudança ao escritório
por Tomoko Saeki


Grandes esperanças
A crise econômica dificultou bastante a vida de quem estava procurando emprego. Por isso, fiquei contentíssima quando fui admitida no escritório de uma importante construtora. No entanto, eu não tinha idéia da provação que me aguardava no novo trabalho.

O Gerente
No meu primeiro dia no escritório, durante a reunião matinal, o gerente perguntou a um dos vinte e poucos representantes de vendas acerca do andamento de um negócio potencial.

“Ahn, bem, a esposa diz que quer consultar outra empresa para construir...”
O gerente se pôs aos berros antes que ele concluísse.
“O que você pretende fazer!?”
O ar na sala congelou.
“Vou, vou conversar mais uma vez com eles!”
“Você não fechou nenhum contrato no mês passado nem no mês anterior. Diga o que pretende fazer!”

O pobre vendedor respondeu com uma voz que mais parecia um guincho esganiçado:

“Vou fazer o possível para conseguir o contrato...!” Mas o gerente foi implacável.
“E o que você vai fazer se não conseguir o contrato, hem!? Hem!? Fale!”
“Se não o conseguir, eu peço demissão!”
“Pede demissão. Pois, se não conseguir o contrato, é bom mesmo que tenha a coragem de pedir demissão!” E, dirigindo-se a todos, ele gritou:
“É graças a mim que vocês são pagos! Procurem ser úteis para variar!”
Mesmo quando a reunião terminou, o gerente continuou insultando os representantes de vendas e o vice-gerente. “Por que vocês são tão incapazes!? Cambada de parasitas. Nunca vi gente tão burra!”

Eu baixei a cabeça e tentei me concentrar no trabalho que me cabia fazer, mas, por dentro, estava tremendo de medo e ansiedade. O meu local de trabalho era comandado por um verdadeiro ditador.

Insultos constantes
Não havia um dia em que o gerente não agredisse alguém verbalmente. Ele se enfurecia com os erros mais insignificantes no trabalho administrativo, nos seus acessos de cólera, não hesitava em atirar cinzeiros e canetas. Entretanto, na frente dos clientes, era uma pessoa completamente diferente.

“Pois não, eu entendo, compreendo perfeitamente. E agradeço muito a sua tolerância.”

Surpresa com aquela voz desconhecida, eu me virei e vi o gerente reclinado na cadeira, os pés em cima da escrivaninha, com um ar sumamente entediado enquanto falava com o cliente ao telefone. Nas poucas vezes em que estava bem-humorado, ficava se vangloriando de ser um ótimo homem de negócios: “Eu conto histórias que lhes dão lágrimas nos olhos. É assim que faço com que assinem o contrato de compra”, alardeava. Eu o achava a pessoa mais insolente e descarada do mundo.

Sua atitude abusiva e arrogante era conhecida em toda a empresa. “Mas ele produz resultados , por isso o diretor prefere fechar os olhos e não dizer nada”, resmungavam os colegas. Todos o elogiavam e aplaudiam quando ele falava nas suas façanhas, mas, assim que saía, começavam a desancá-lo. Pior ainda: meus colegas falavam mal uns dos outros pelas costas, levando-me a descon fiar que faziam a mesma coisa comigo. Eu sentia que não podia confiar em ninguém no escritório.

Era muito desagradável ouvi-lo gritar com os outros; mas o meu coração se encolhia todo quando ele se punha a gritar comigo.

“Por que você não limpou a maquete da casa? Por quê!?”
“Desculpe, é que eu tive de redigir um relatório urgente...”
“Não me venha com pretextos. Quantas vezes eu preciso dizer a mesma coisa? Sua idiota!”

“Agüente pelo menos três meses”, eu dizia comigo. Mas comecei a ter medo de ir trabalhar, e isso chegou a tal ponto que certa manhã fiquei petrificada e acabei vomitando na entrada da minha casa. Vendo o meu estado, a minha família se assustou muito.

Pedindo ajuda
Eu sabia que precisava de ajuda. Comecei a ler o Darma do Correto Coração, a oração primeira e fundamental da Happy Science. Quando me compenetrei em recitar a oração, senti o coração passar de um mar revolto para um lago sereno e manso, e isso me deu energia e força de vontade para voltar ao trabalho.

Minha mãe aconselhou: “Sejam quais forem as circunstâncias, a única pergunta que merece resposta é ‘Você continua sendo capaz de dar amor aos demais?’ Veja como é simples.” Suas palavras reverberaram em meu coração. Ela tinha razão. Eu posso fugir dos meus problemas, mas, se não os enfrentar e desenvolver com eles, esses mesmos problemas voltarão a me acossar. As pessoas são o espelho de cada um de nós. Por isso, em vez de tentar mudar os outros, primeiro eu devo procurar mudar a mim mesma.

“Em tempo de adversidade, devemos praticar o amor que dá.”
Mas, para mim, era quase impossível dar amor àquele chefe detestável. Estudei a doutrina com afinco, mas não era nada fácil livrar-me do ressentimento profundo.

O que todo mundo realmente quer...
Continuei estudando, orando, fazendo auto reflexão e meditando, mas, depois de um ano, tinha progredido muito pouco. Um dia, eu estava conversando com a monja da minha Sucursal da Happy Science.

“Não sei o que fazer para praticar o amor que dá no escritório. Não que eu não esteja tentando, estou, sim, mas...”

Depois de ouvir atentamente minha história, ela disse: “Tentar transformar o ambiente de trabalho hostil num ambiente mais amigável é uma prática de amor, mas no local de trabalho, amar é ajudar os outros a serem promovidos.”

“Ajudar os outros a serem promovidos?”

A resposta me surpreendeu, mas ela tinha razão. Vender mais e aumentar o lucro era a única coisa que importava ao pessoal do escritório. Ninguém se preocupava em ter um ambiente de trabalho mais agradável. O que eu precisava fazer era ajudar a todos a terem sucesso. Naturalmente, o aumento de vendas do showroom teria de ir a par com o aumento da satisfação do cliente. Neste caso, a minha meta era fazer realmente feliz todo cliente que escolhesse a nossa empresa, e isso, eu sabia, era a chave da solução dos problemas do escritório.

Dando amor no escritório
Daquele dia em diante, passei a pensar seriamente no que fazer para apoiar os meus colegas.

“Quem procura dar amor deve começar por comprometer o próprio coração com a tarefa que lhe for atribuída. Deve levar em consideração as exigências alheias e tudo o mais, pois você e todos os outros precisam começar a se aprimorar como resultado do seu esforço.”
Extraído do livro: Sobre Trabalho e Amor (publicado pela Happy Science e disponível somente em japonês.

Eu me dei conta de que podia fazer muita coisa. Comecei a preparar um material de apresentação mais útil aos vendedores e mais agradável para os clientes. Dediquei-me muito à atenção para com os clientes, desejando que seu sonho de construir a casa própria se realizasse da melhor maneira possível.

Havia ocasiões em que eu tinha de cuidar de uma tonelada de afazeres ao mesmo tempo, mas me empenhava para concluí-los no prazo previsto.

Logo, comecei a fazer o meu trabalho, diariamente, rezando para que as tarefas de que me incumbiam levassem felicidade a alguém. O meu esforço às vezes frutificava como realização de outra pessoa, às vezes não, mas era uma grande alegria para mim poder trabalhar pelo bem dos outros. Isso me fortalecia à medida que a beligerância do gerente me afetava menos, e eu deixei de fazer caso das suas palavras agressivas, até agradecia as críticas com facilidade cada vez maior.

Descobrindo o filho de Deus
Meses depois de eu ter tomado a decisão de construir uma atitude positiva, houve a oportunidade de todos os empregados da cidade de se reunirem num encontro da empresa. Por coincidência, eu estava sentada ao lado do gerente quando, naquele ambiente festivo e entre aperitivos, ele me disse subitamente: “Peço desculpas por tudo.”

Tive a impressão de que não o ouvira bem. Não lembro da resposta que lhe dei, mas naquele momento percebi que, apesar do seu temperamento horrível, ele também tinha algo de bom.

Foi como se Deus me tivesse mostrado fugazmente o verdadeiro eu do gerente para me estimular. No dia seguinte, contei a todos o que ele havia dito. Meus colegas descartaram a ideia, dizendo: “É impossível que esse sujeito seja uma boa pessoa. Você não deve confiar nele.” Desisti de tentar convencê-los, mas tomei a resolução de acreditar que o gerente também era filho de Deus, ainda que eu fosse a única a acreditar nisso.

Nossos corações estão ligados
Primeiro, as pessoas cessaram de falar mal umas das outras. A seguir, começaram a sorrir mais e a reclamar menos do gerente. Em breve, o escritório se transformou num ambiente muito mais amigável. Então o gerente foi promovido a chefe de departamento. Nós preparamos uma festa surpresa para ele e providenciamos flores e presentes. Foi então que notamos que a sua atitude começava a mudar.

“Digam como está indo esse negócio. Se vocês tiverem dificuldade para convencer a esposa, eu vou junto.”

Em vez de se irritar e gritar com os vendedores, ele engolia a raiva e mostrava um esforço real para encontrar um meio de ajudá- los. Os outros repararam que agora ele pensava mais no desempenho deles do que no seu próprio e não deixaram de expressar gratidão. As vendas aumentaram, e o nosso showroom não tardou a ser o queridinho da empresa.

A adversidade é a oportunidade de polir a nossa alma
Eu trabalhei quatro anos no showroom e, nesse período, aprendi a ter muito carinho pelo meu gerente e a respeitá-lo imensamente. Ele também disse que, sem mim, o showroom não teria se saído tão bem. Certa vez, um gerente de outro showroom me contou que o meu chefe havia dito que “Ele pensava que sua função era pressionar a equipe a fim de obter resultados, mas isso só fez os empregados a detestá-lo. Agora sabe que estava muito errado e se dispõe a mudar.”

Eu custei a acreditar que o meu gerente, que era tão autoritário, tivesse mudado tanto.

“Como nenhum membro novo da equipe aguentava trabalhar por muito tempo com ele, pensamos que você também não tardaria a pedir demissão. Mas você conseguiu se dar muito bem. É uma façanha.”

Saber que havia quem me visse desse modo compensou toda a amargura que eu suportei desde que entrei na empresa. Essa experiência deu-me segurança e paciência para enfrentar os problemas com que me deparei na minha função seguinte, e agora eu gosto muito do meu trabalho no meu novo ambiente.

Quando comecei na empresa, não havia um dia que não fosse um martírio e eu sentia que estava enfrentando a pior etapa da minha vida. Mas, olhando para trás, percebo a importância daqueles dias e só posso agradecer ter conhecido meu patrão, pois, sem aquelas provações e lutas, eu não teria sido capaz de me apossar dos tesouros que agora possuo.

por Tomoko Saeki
 

“E preciso saber que passar por essas ´experiências extremas´ favorece uma
vida criativa. Não considere negativo o período
difícil que você talvez esteja enfrentando agora.
Pelo contrário, encare-o como um trampolim para o crescimento.”

Extraído do livro: The Laws of Creation [p.16]

Histórias de
Experiência de Vida
Revista 193:
“Como Eu Venci o Câncer de Mama”
Revista 193:
Perder Tudo me Levou a Ganhar a Maior Felicidade
Revista 192:
Um a Segunda Chance na Vida Através da Fé
Revista 191:
Da Pura Fé a uma
Vida de Prosperidade
Revista 190:
O Meu Tumor Desapareceu em Apenas Dois Meses
Revista 189:
Três relatos de participantes do retiro: “Os Oito Corretos Caminhos”
Revista 188:
Refletindo Sobre
a Infância

Experiência de Ursula Forster
Revista 187:
Despertando
para a Luz Interior

Experiência de Yuko von Rothkirch
Revista 186:
Acreditar que Seu Caráter Brilhará
Experiência de Miyako Tsuchimine
Revista 185:
Um Acidente Levou-me à Gratidão
Experiência de Kikue Shimokawa
Revista 184:
Minha Luta Contra a Diabetes
Experiência de Alex Paz
Revista 183:
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A Coragem de Viver Criativamente
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Lidando com meu filho rebelde
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Revista 180:
Trazendo mudança ao escritório
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Revista 179:
À beira do divórcio e de volta
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Revista 178:
A vida é um caderno de exercícios
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Revista 177:
Despertando para o amor que me foi dado
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Revista 176:
Um novo modo de crescer
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Revista 175:
A adversidade é a maior oportunidade
Experiência de Kaoru Inoue
Revista 174:
Superando o meu ego com a Verdade
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Revista 173:
Voltarei a vê-lo no céu
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Do fracasso ao successo
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