A Coragem de Viver Criativamente
por Michinobu Nonomura 



Em 2002, a minha empresa Aura acabava de estabelecer marca própria, e seu nome estava ficando conhecido em toda a indústria.

Os negócios iam bem, mas, em casa, eu acabava de saber que minha esposa ingressara na Happy Science, uma religião diferente da que eu professava.

“A auto-reflexão leva ao desenvolvimento”
Fazia tempo que eu era adepto da Tenrikyo*; por isso, não me interessei pela Happy Science. Desde a morte de meu pai, quando eu tinha catorze anos, a Tenrikyo era o meu apoio emocional na vida e muito me ajudou no período difícil que passei trabalhando como louco para sustentar a família e pagar meus estudos.

No entanto, era impossível não ver o quanto minha mulher havia mudado depois de entrar na Happy Science. Tornara-se uma pessoa mais meiga e, às vezes, dizia coisas que me impressionavam. Chegou até a parar de fumar -- coisa que eu nunca consegui convencê-la a fazer. Tive curiosidade de saber o que diziam os livros que ela lia e estudava com tanto afinco.

Neles encontrei ensinamentos que davam resposta a perguntas que eu vinha azendo havia muito tempo e orientação para progredir rumo ao futuro. Um dos ensinamentos que mais me impressionaram explicava que a auto-reflexão leva ao progresso: refletir sobre si e corrigir os próprios erros é progredir como indivíduo. Decidi ingressar na Happy Science e continuar estudando essa doutrina. Contudo, embora eu entendesse que a auto-reflexão ajudava a desobstruir a mente, aind a não compreendia totalmente como a auto-reflexão levava ao progresso.

Não tardei a ter oportunidade de obter espaço num complexo comercial de um dos melhores bair ros de Quioto. Era uma ótima oportunidade para a empresa e, embora eu soubesse perfeitamente dos riscos, decidi alugá-lo. Para minha surpresa, todos os meus empregados se opuseram à ideia. Não dei importância a isso e segui em frente, esperando que o sucesso da loja nova os fizesse mudar de opinião. Entretanto, o distanciamento entre mim e eles aumentou, e as vendas caíram.

Eu havia tomado a decisão certa? Três semanas depois de inaugurar a loja, comecei a ter dúvidas. Foi quando minha mulher propôs uma visita ao templo da Happy Science próximo ao lago Biwako para praticar uma meditação chamada “Meditação dos quatro estágios”.

O verdadeiro progresso
Eu estava em plena “meditação de inverno” quando vi claramente meu passado, como se estivesse refletido na superfície de um lago. Vi-me perseguindo sonhos de sucesso, sem a menor consideração pela minha família e sem gratidão aos empregados, pois estava convencido de que fazia todo o trabalho sozinho.

“Será que era arrogância pensar que eu podia fazer tudo como bem entendesse?”, indaguei. “A oposição de meus empregados está me regelando como o vento do inverno, mas talvez seja uma dádiva de Deus eu desper tar para a importância das pessoas que me cercam...”

Foi então que percebi o que me faltava: gratidão. Naquele instante, senti-me livre das pesadas camad as de orgulho e desejo de prestígio e fama que me cobriam o coração. As lágrimas me rolaram na face quando eu fiquei inundado de gratidão a todos os que me haviam auxiliado até então.

A última parte da meditação mandava-me traçar um quadro do passado, do presente e do futuro. Eu nasci e cresci no Japão rural, de modo que minhas expectativas de subir na vida não eram tão grandes assim. Mas, desenhando livremente, tive subitamente uma visão de mim sonhando em realizar grandes coisas em escala global e até mesmo no campo da tecnologia espacial.

“O que é isso!? Será o meu futuro?”. Eu mal podia acreditar que poderia atingir semelhantes alturas. Até então, sentia-me um tanto culpado por ter sucesso. Dez anos antes, a experiência amarga de ajudar a pagar as dívidas enormes de um parente cuja empresa falira levou-me a pensar: “É melhor levar uma vida medíocre do que fracassar na tentativa de ter um grande sucesso e acabar causando problemas a tanta gente.” Mas a Happy Science pregava outra coisa:

“Se a sua felicidade pessoal for do tipo que leva à felicidade de toda a humanidade [...], esse é o pensamento correto; não causará problemas quando for realizado. Esse é o pensamento a que se deve aspirar, aquele em que a sua felicidade pessoal e a da humanidade podem ser realizadas como se fossem uma só.” (As Leis da Felicidade)

Descobri que minha ansiedade provinha de eu não saber que é possível realizar as duas, a felicidade própria e a dos outros. Se o sucesso e a expansão da minha empresa beneficiarem o mundo, eles são uma coisa boa. Essa percepção deu-me um incentivo enorme e acabou com as minhas preocupações.

Eu tinha a tendência a culpar meus empregados toda vez que as coisas não corriam conforme o planejado, mas tomei a decisão de mudar. Para não dizer palavras ríspidas, respirava fundo sempre que elas me ocor riam e procurava serenar o espírito. Assim, procurei diminuir a distância que me separava dos empregados. Finalmente aprendi o que era saltar da auto-reflexão para o progresso.

A visão de um novo design de material
Mas, para sobreviver à atual recessão, eu precisava faze mais do que simplesmente corrigir erros: precisava criar algo novo. Na luta desesperada para aumentar as vendas, saí numa busca fer vorosa de oportunidades de negócio. Encontrei uma num anúncio do Ministério da Economia, Comércio e Indústria de novos empreendimentos de empresas pequenas e médias. Eu teria não só a oportunidade de inaugurar um projeto como seria financiado. Era justamente o que eu procurava.

Infelizmente, o prazo de apresentação do projeto vencia em apenas duas semanas. Era um grande desafio elaborar um projeto empresarial em tão pouco tempo.

Eu começara a vida como artesão de tintura yuzen**. Meu desejo era combinar técnicas tradicionais com tecnologia de ponta para criar um novo mercado que gerou a minha empresa, a Aura. De modo que voltei às origens para ver se conseguia descobrir a semente de u ma nova ideia, e concebi um tipo de tecido chamado odashishikoro. O couro especialmente processado por métodos tecnológicos modernos seria tecido imitando os brocados nishijin*** para produzir pano de couro.

Muitos zombaram da minha disposição a entrar na disputa. “Você só tem quinze dias. Desista”, diziam. Mas eu estava convencido de que, se conseguisse fazer com que a ideia vingasse, ela daria renovado prestígio aos artesãos, que são os pilares da produção e manufatura. Criaria um novo mercado para produtos que fundem novas tecnologias com técnicas tradicionais. Esse desejo ou ideal era quase uma vocação para mim. “Nós vamos conseguir, eu tenho de conseguir!”, respondi com veemência.

Eu repetia incansavelmente que estava decidido a alcançar meu ideal. Formulei um plano de utilização do tecido e fiz o que pude para encontrar empresas cooperativas. Naquelas noites em que não conseguia dormir, as fitas e CDs das palestras do mestre Okawa me auxiliaram e me davam força para prosseguir. Eu as escutava constantemente -- em casa, no metrô, indo e voltando do trabalho. Escutei palestras como Pensamento Vencedor e As Leis do Sucesso**** e me embebi nos ensinamentos acerca do poder que têm os pensamentos de se manifestar neste mundo e aprendi a “enfrentar as tormentas que se aproximam e tomar para si a sua força”. (Pensamento vencedor).

Paulatinamente, meus empregados e colegas empresários que haviam observado o meu empreendimento com indiferença começaram a me oferecer ajuda e apoio. Decorridas as duas semanas, eu apresentei meu plano empresarial.

A coragem para viver criativamente
Meu plano foi aprovado! Eu senti sinceramente que, quando a gente acredita, no fundo do coração, que aquilo que está determinado a realizar é bom para o mundo, o céu ajuda. Meu novo tecido odashi-shikoro foi escolhido para ser usado na mala oficial do governo municipal de Quioto e figurou na lista dos cem melhores produtos “de estilo japonês moderno”, certificados pelo Ministério de Economia, Comércio e Indústria do Japão. Recentemente, o tecido também foi escolhido para revestir o interior do carro conceitual de uma grande fábrica de automóveis. Isso gerou uma inundação de solicitações de outras montadoras.

Como ensina o mestre Okawa:

“Não se dê por satisfeito só por ter resistido à tempestade até que ela terminasse para depois voltar à situação em que você estava antes. Absorva a experiência que teve ao enfrentar as dificuldades e transforme-a em energia dentro de você.” (Pensamento vencedor).

Em novembro de 2007, eu tive a experiência extraordinária de assistir a uma palestra do mestre Okawa. Quando ele disse que, para criar algo novo, nós temos de enfrentar a crítica, ter coragem e tratar de abrir caminho, eu me dei conta de que Deus estava comigo em cada momento das minhas provações e lutas. Isso me encheu de reverência e gratidão.

Atualmente estou desenvolvendo mais um projeto. Com a coragem de viver criativamente, vou continuar trabalhando para trazer novos valores a este mundo.

por Michinobu Nonomura

*Tenrikyo: uma religião japonesa fundada no século XIX.
** Tintura yuzen: inventada no século XVIII, é uma mistura de revestimento do tecido com pasta de arroz e a pintura tradicional usada nos quimonos.
*** Brocado Nishijin: luxuosos tecidos de altíssima qualidade produzidos desde
1200 pelos artesãos de Quioto para a corte imperial e a aristocracia.
****Disponível somente em japonês

“[ ... ] um verdadeiro emp resár io enfrenta
todas as situações com a atitude “ou
vai ou racha”, porque essa é a atitude
que gera ideias criativas.”

The Laws of Creation | p.60

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