Descobrindo o Verdadeiro Eu
por Melody Powell



Eu tive a sorte de par ticipar do
Rito Sagrado para Mudar Seu
Destino no Biwako Shosh inkan (templo),
já que essa oportunidade
surgiu num momento realmente
importante para mim.

Problemas de relacionamento
Eu estava fazendo psicoterapia para lidar com algumas questões em minha vida.

Meu relacionamento com meu pai nunca foi bom. Eu gostava dele porque era meu pai, mas achava a nossa comunicação muito difícil. Ele sofria de transtorno bipolar e bebia muito para enfrentá-lo, o que acarretou mais problemas para a família, assim como para sua saúde.

Houve um período em minha vida em que eu era a única pessoa que cuidava de meu pai, que havia se divorciado da esposa. E ficava irritada porque ele se recusava a sair da cama e encarava tudo com um tremendo pessimismo. Bastava eu dizer uma coisa qualquer para alegrá-lo, para que ele achasse um lado negativo e insistisse nesse aspecto. Era um homem tão soturno. O que mais me frustrava era meu pai não enxergar o que estava fazendo consigo mesmo, mas é verdade que eu não sabia o quanto é difícil ter transtorno bipolar.

Quando concluí o ensino médio, já estava farta daquele seu jeito de ser. Achei melhor sair de casa e morar com um namorado que eu conhecera pouco tempo antes. Acontece que esse rapaz era física e verbalmente violento. Quebrava minhas coisas, batia em mim, xingava-me, dizia que eu não prestava para nada, etc. Depois de dois anos aturando esse tratamento, eu concebi um plano e fugi.

Tomei o trem e desembarquei numa estação próxima do apartamento de meu pai. Fiz todo o trajeto olhando para trás, receando que meu namorado tivesse descoberto meu plano de fuga e estivesse me seguindo para me obrigar a voltar. Era meia-noite quando cheguei à estação e telefonei para meu pai. Ele ficou contentíssimo ao ouvir minha voz e foi me buscar imediatamente. Eu sabia que meu pai gostava muito de mim, embora me irritasse às vezes. Voltei a morar em seu apartamento porque me dei conta do amor que ele tinha por mim.

Na época, eu ainda não conhecia a Happy Science e sua doutrina e, pouco depois de voltar a morar com meu pai e de fazer o possível para cuidar dele, lavando sua roupa, preparando o almoço e o jantar e limpando o apartamento, voltei a ficar farta de seu comportamento e, uma vez mais, resolvi ir embora.

Entrei em contato com a Happy Science dois anos depois, quando estava morando com meu futuro noivo e seus pais. Foi através de Karen, a irmã de meu noivo, que descobri a Happy Science. Os ensinamentos da Happy Science nos últimos três ou quatro anos ajudaram- me a enfrentar minha relação com meu pai. Agora estamos muito mais próximos e eu já não me irrito. Entendo que ele precisa de paciência e atenção e só pode mudar mediante suas próprias decisões. No entanto, eu ainda achava dif ícil enfrentar certos problemas, como a experiência de ter tido um relacionamento violento.

A Chegada ao Biwako
Quando cheguei ao Biwako Shoshinkan, fiquei impressionada com sua aparência. Depois de guardar a bagagem em meu quarto e relaxar na atmosfera do templo, fui ao salão de orações principal. Ao entrar, bastaram alguns passos para que eu tivesse uma sensação como de eletricidade correndo por minhas pernas. Olhei para o gohonzon (altar) e me senti inundada de emoção. Sentei-me, uni as mãos e chorei. Não conseguia parar de chorar: foi um grande sentimento de alívio.

No dia seguinte, começou o retiro internacional. Eu não sabia o que esperar, pois nunca tinha feito retiro nem estivera num shoshinkan (templo) na companhia de tanta gente! Foi agradabilíssimo ficar na companhia daquelas pessoas, todas lá para participar do mesmo seminário. Eu me senti como em meio a um grupo enorme de amigos e parentes.

A Contemplação das Tendências de Nossa Alma
No seminário, nós recebemos koans (palavras de luz) para contemplar. A contemplação começou com a descoberta das tendências de nossa alma, que eram explicadas como um carma que influencia o que cada um pensa, sente e faz. O carma negativo é criado, originalmente, pelas ilusões a que a alma está sujeita enquanto vive neste mundo.

Concentrei-me nas ilusões que eu devia ter tido. No começo, achei que seriam coisas como rebeldia, perfeccionismo e indecisão, mas, depois de uma consideração mais profunda, descobri certos padrões em meus fracassos. Todos eles pareciam se iniciar com uma dúvida. Eu duvidava de mim e dos outros, por isso agia de modo a fracassar sempre. Duvidava da capacidade de meu pai de sair da depressão e largar o álcool, por isso o abandonei. Duvidava de minha própria capacidade de arranjar um namorado melhor, por isso passei dois anos à mercê de um homem violento. Também duvidava da minha capacidade no trabalho e, em consequência, vivia mudando de emprego. Minha dúvida causava ansiedade. Eu sofria de ansiedade e tinha ataques de pânico desde que entrei naquele relacionamento violento. Também tinha uma natureza muito dependente que provinha da dúvida quanto à minha capacidade de cuidar de meu pai.

A Descoberta do Meu Verdadeiro Eu
Descobri que o modo fundamental de superar essa tendência era perceber que eu tenho a natureza de Buda dentro de mim, assim como todo o mundo. Não podia duvidar de mim se Deus não duvidava. Já que tive valor suficiente para receber vida e amor, eu devia confiar em mim e também nos outros.

Na primeira meditação durante o retiro, vivi uma experiência incomum. Na segu nda etapa da Meditação de Quatro Estágios, tive a sensação de sair de meu corpo e subir. Foi como se tudo estivesse mais iluminado e mais leve. Durante essa experiência, minha alma foi mostrada a mim como uma bola reluzente marcada por uma ferida. Fui orientada para visualizar a ferida, que ia se curando de dentro para fora. Vi que a camada que estava no centro, a natureza de Buda, continuava intacta, não fora atingida pela chaga. Eu chorei até o fim da meditação e, mesmo depois, passei muito tempo chorando.

Parece algo simples, mas a sabedoria que colhi nesse retiro mudou o meu modo de encarar as coisas. Eu me preocupo quando não tenho confiança em meu valor ou duvido da força e da integridade dos outros. Mas a verdade é que eu subestimava a enorme quantidade de recursos que tinha.

O Mestre Okawa escreve:

"[...] o amor é o remédio que cura todas as doenças, a
fonte que cicatriza as feridas de qualquer coração."
"A essência do amor consiste em encontrar a luz em todos
e em tudo, em apreciá-la e louvá-la."

Passagens de O Ponto de Partida da Felicidade (Editora Cultrix).

Quando eu percebi que tinha de tudo: amigos, família, um bom emprego, um patrão excelente e um corpo sadio – tudo que alguém pode querer na vida –, minha confiança decuplicou. Até minhas piores experiências eram grandes lições. Eu posso não só usar minhas experiências para ajudar uma pessoa em situação parecida como elas são um grande material para o treinamento da minha alma.

Paz de Espírito
Depois de tanta contemplação, eu me senti muito tranquila por dentro. Estava com a mente serena e podia pensar em tudo devagar, de maneira concentrada. Isso era extremamente novo para mim, já que sempre costumei a pensar em três ou mais coisas ao mesmo tempo, com a mente a girar sem descanso. Para não recair nas minhas antigas tendências, decidi praticar a autorreflexão regularmente. Isso me lembra que minha mente pode se encher facilmente de ilusões e enganos e me afeta r muito. Também hei de desenvolver a coragem, procurando ser mais aberta e dar amor.

"Com amor, somos capazes de
encontrar coisas prodigiosas
nos menores insetos, nas flores,
em todos os seres, e somos
capazes de admirá-los. Com amor, conseguimos encontrar a
natureza divina que irradia luz em todas as pessoas."
Passagens de O Ponto de Partida da Felicidade (Editora Cultrix).

A experiência desse retiro ajudou-me a desenvolver uma autoimagem forte e positiva. Enfim, pude ver o meu valor. Pude ver o valor de todo o mundo e, desde então, a cada dia, procuro me lembrar desse fato. Posso contemplar com uma visão clara ideias que antes eu arredava da mente. Sei que aproximadamente uma em cinco mulheres é vítima de violência doméstica e a maioria tem medo de denunciar essa situação: elas negam tudo e se recusam a f alar. Eu levei anos para admitir que estava passando por isso, era incapaz de enfrentar a situação e lidar com ela.

Agradeço muito a oportunidade que tive, mesmo porque me sinto melhor e estou mais calma. Espero compartilhar minha história com outras mulheres para lhes dar esperança e mostrar-lhes como aprender com a própria experiência, como continuar sendo alegres e positivas e se reconstruir para ter uma nova autoimagem positiva.

por Melody Powell
 

Como Mel Mudou

“Participar desse retiro com Mel foi uma bênção impressionante. Faz
alguns anos que eu a conheço, e ela é uma pessoa importantíssima em
minha vida e em minha família. Desde o começo
do retiro, eu percebi que a experiência mudaria a vida dela. Foi lindo vê-la se abrir e se encher de luz. Depois do retiro, Mel passou a irradiar muita determinação e paixão em tudo quanto faz, e nada me alegra mais do que podermos trilhar juntas o caminho da felicidade!”

por Karen Carlile

Histórias de
Experiência de Vida
Revista 193:
“Como Eu Venci o Câncer de Mama”
Revista 193:
Perder Tudo me Levou a Ganhar a Maior Felicidade
Revista 192:
Um a Segunda Chance na Vida Através da Fé
Revista 191:
Da Pura Fé a uma
Vida de Prosperidade
Revista 190:
O Meu Tumor Desapareceu em Apenas Dois Meses
Revista 189:
Três relatos de participantes do retiro: “Os Oito Corretos Caminhos”
Revista 188:
Refletindo Sobre
a Infância

Experiência de Ursula Forster
Revista 187:
Despertando
para a Luz Interior

Experiência de Yuko von Rothkirch
Revista 186:
Acreditar que Seu Caráter Brilhará
Experiência de Miyako Tsuchimine
Revista 185:
Um Acidente Levou-me à Gratidão
Experiência de Kikue Shimokawa
Revista 184:
Minha Luta Contra a Diabetes
Experiência de Alex Paz
Revista 183:
Descobrindo o Verdadeiro Eu
Experiência de Melody Powell
Revista 182:
A Coragem de Viver Criativamente
Experiência de Kayo Hayashi
Revista 181:
Lidando com meu filho rebelde
Experiência de Kayo Hayashi
Revista 180:
Trazendo mudança ao escritório
Experiência de Tomoko Saeki
Revista 179:
À beira do divórcio e de volta
Experiência de Shoko Hasegawa
Revista 178:
A vida é um caderno de exercícios
Experiência de Kaoru Komatsu
Revista 177:
Despertando para o amor que me foi dado
Experiência de Etsuko Maruyama
Revista 176:
Um novo modo de crescer
Experiência de Shigeharu Shimamura
Revista 175:
A adversidade é a maior oportunidade
Experiência de Kaoru Inoue
Revista 174:
Superando o meu ego com a Verdade
Experiência de Steve Bortignon
Revista 173:
Voltarei a vê-lo no céu
Experiência de Yasuyo Sugimoto
Revista 172:
Do fracasso ao successo
Experiência de Robert Lutuwama
   
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