Acreditar que Seu Caráter Brilhará
por Sra. Miyako Tsuchimine,

Constataram que meu filho e minha
filha mais velhos eram autistas,
meu segundo filho sofria da
síndrome de asperger; meu terceiro
filho tinha TDAH¹; e minha segunda
filha, transtorno invasivo do
desenvolvimento. Esta é a minha história de alegria,
surpresa e descobrimento na família
enquanto eu os criava.

Por Que Ela Não Fala?
Além de não se interessar pela educação da nossa f ilha e deixar todo o trabalho para mim, o homem com quem me casei tinha uma renda instável. Nossa filha demorou a falar e só aos cinco anos foi capaz de uma conversa coerente. Eu pedia muito ao meu marido que estabilizasse um pouco as finanças da família e me ajudasse a criá-la, mas o proprietário não parava de telefonar cobrando o aluguel atrasado. Cada vez que o telefone tocava, a menina começava a chorar, e aquilo me enlouquecia. Eu estava com os nervos à flor pele e vivia pensando: “Quero sair desta vida!” Mas, inesperadamente, engravidei outra vez e tive meu segundo bebê, agora um menino.

O recém-nascido era mais problemático ainda. Mesmo estando com fome, não chorava e não mamava. Eu era obrigada a abrir sua boca quase à força e, apesar da choradeira, enfiar o alimento goela abaixo. Ele quase não tinha contato visual comigo quando eu lhe falava. “Não sei o que esse menino quer. Como vou criá-lo e cuidar dele?” Minha filha continuava dando muito trabalho e, às vezes, eu não aguentava a frustração e gritava com ela: “Por que você não para de chorar? Como eu vou saber, se você não diz uma palavra? Coma e pare de fazer manha!” Eu me divorciei do meu marido antes que o nosso filho completasse um ano.

Foi mais ou menos nessa época que encontrei os livros do mestre Ryuho Okawa. Cada página estava repleta de respostas para tudo quanto, havia tanto tempo, eu queria saber. Ingressei na Happy Science e, depois, conheci um homem maravilhoso e nós nos casamos.

O Estresse de Criar um Filho
Meu marido adorava meus filhos como se fosse o pai deles. No ano seguinte ao do nosso casamento, eu tive mais um bebê, e, dali a pouco mais de um ano, dei à luz outro menino.

Com montanhas de roupa para lavar, quartos para limpar e quatro filhos para cuidar, os d ias passavam voando. Mas meu filho continuava sem reagir a nossa voz, vivia prostrado, embora já tivesse idade para começar a engatinhar. Quando se interessava por um brinquedo, passava horas com ele, mas, se eu o tirasse de suas mãos, ficava tão violento que eu não sabia o que fazer. Ele ainda não desaleitara, aliás, continuou mamando até uns dois anos de idade. Eu ficava ainda mais estressada quando me perguntavam: “Esse garoto ainda mama no peito?”

As coisas pioraram quando ele entrou na escola. Vivia dizendo, “A escola é chata” e fazia coisas esquisitas como estudar sentado em cima da carteira ou se esconder na hora da aula. Na época, eu era membro da APM, e os outros pais me criticavam dizendo: “A senhora não dá educação a esse menino?” Eu me culpava de não saber criar meus filhos.

Nós Também Éramos Pais-Filhos na Vida Passada
Desesperada por aprender a lidar com meus filhos, eu participei do seminário os Oito Corretos Caminhos no Nikko Shoja².

Estava, de olhos fechados, refletindo sobre minha vida, quanto tive uma visão. Vi os membros de nossa família formarem uma família em outra era. Em certa ocasião, meu filho mais velho levou- me a Buda; em outra, protegeu a mim e ao meu marido, levando- nos para um lugar seguro. ... Isso me deixou desconcertada. “O meu filho, aquele que eu achava tão problemático, é a ele que devo tanto na minha vida passada.” Eu também tinha ligação com meus outros filhos, e nossa família já era uma família em vidas passadas, às vezes em relações diferentes, mas uns sempre se ajudando os outros. Mentalmente, eu vi o rosto de cada um e senti tanto amor por eles que comecei a chorar.

Agora eu que sabia que o destino tinha feito de nós uma família, decidi nutrir suas almas com todo o amor e carinho possíveis.

Porque Eu Tinha o Sorriso dos Meus Filhos
Mesmo assim, criá-los foi dificílimo. Nossa filha mais velha passou para o ensino médio e não tardou a entrar na fase rebelde. Também notamos o nosso segundo filho, assim como o terceiro, começaram a apresentar certos comportamentos que já havíamos detectado no mais velho. E, como se isso não bastasse, eu tornei a engravidar: a nossa segunda filha, totalizando cinco. Meu sogro doente, que morava conosco e vivia entrando e saindo do hospital, contraiu pneumonia e morreu.

Se eu tive força para enfrentar esses tempos difíceis, foi graças a minha fé no Senhor e ao rosto feliz do meu marido e dos meus filhos. Eles me ajudavam no trabalho doméstico, oravam por mim e me estimulavam quando eu adoecia. A ternura, o cuidado e o interesse que emanavam da família curavam meu corpo desgastado e meu espírito exausto.

O Diagnóstico do Médico...
Mais ou menos quando o nosso filho mais velho iniciou a quinta série, os problemas comportamentais começaram a desaparecer. No entanto, quando ele passou para o segundo ciclo, aguardava-o uma disciplina de grupo muito mais rigorosa do que no primeiro.

“Não quero ir à escola. Para mim, é difícil fazer a mesma coisa que os outros.”

Foi a primeira vez que ele manifestou o que sentia. Desde pequeno, evitava se expressar como se estivesse escondendo uma coisa insuportável. Os professores e a orientadora educacional achavam que ele tinha um tipo de distúrbio de desenvolvimento, por isso o levamos a um hospital. Depois de vários testes, o médico nos disse: “Ele não é intelectualmente deficiente, mas tem um grave autismo altamente funcional. Nossos outros filhos apresentavam sintomas parecidos com os do mais velho, de modo que todos foram examinados. O resultado foi que a nossa filha mais velha também era autista, o nosso segundo filho tinha a síndrome de Asperger e o terceiro sofria de TDAH¹.

Já aos cinco anos de idade, nosso segundo filho era capaz de ler um romance grosso, mas só fazia o que lhe interessava. Era muito eloquente, de modo que às vezes conseguia vencer a professora em uma discussão. Por outro lado, era muito ingênuo e, com frequência, tinha problemas de saúde quando se cansava demais. Nosso terceiro filho adorava ciência e era capaz de desmontar um relógio rapidamente. Não conseguia ficar quieto durante muito tempo e perdia facilmente o interesse pelas coisas, de modo que não se adaptava aos colegas de classe. Sua professora responsável não sabia lidar com ele e maltratava-o, coisa que o levou a parar de ir à escola.

Havia muita incompreensão com as deficiências de desenvolvimento e muito preconceito; a vizinhança espalhava todo tipo de boatos só porque nos via levar os meninos ao hospital. Mas meu marido me disse delicadamente: “Não acredito que sejam deficiências, mesmo que o diagnóstico tenha sido esse.” Eu concordei. “O Senhor deve estar nos dizendo para aprendermos com essas circunstâncias difíceis. Preciso conservar a fé Nele e seguir adiante.”

Acreditar que seu Caráter Vai Brilhar

“À medida que a criança cresce, os pais devem discernir a natureza de sua alma. A melhor educação consiste em acreditar no poder da alma individual e permitir que a criança se desenvolva ao máximo na direção em que ela quiser crescer.”
(do mestre Ryuho Okawa | Dicas para Encontrar a Felicidade)

Eu acreditava que, mesmo sendo diferente dos outros, um dia seu caráter ia brilhar. Essa fé me fortalecia continuamente e estimulava nosso filho. Eu não me cansava de dizer aos outros filhos: “O Senhor El Cantare sempre olha por vocês. Todos têm uma grande missão. Eu os amo muito.”

Deixei meu filho escolher um estabelecimento de ensino, e ele escolheu uma escola livre. Passava os dias passeando na praia e escrevendo romances. Talvez estivesse organizando os sentimentos à sua maneira. Graças a esse hobby, arranjou amigos com os quais podia se abrir. Então se matriculou em uma classe para alunos com necessidades especiais e completou em dois anos o currículo de três anos do primeiro ciclo. Transferiu-se para um curso noturno e foi eleito membro do conselho estudantil.

“Esse é o Caráter Singular dos Nossos Filhos.”
Tendo aprendido com minha experiência com nosso filho mais velho, solicitei à escola e à prefeitura classes para alunos com necessidades especiais para o nosso segundo filho e para o terceiro. Se os professores e colegas de classe tivessem um mínimo de compreensão, eles poderiam estudar com os outros, mas o atual ambiente educacional rejeita as crianças “diferentes” das outras. Eu lhes dizia: “Distúrbio de desenvolvimento não é doença. É o caráter singular dos nossos filhos. Seu talento inato vai florescer se lhe dermos a educação adequada.”

Continuei orando nos templos da Happy Science, e, pouco a pouco, cada vez mais pessoas inicialmente relutantes com as classes de necessidades especiais começaram a aderir à ideia. Quando a classe de necessidades especiais finalmente começou, nossos filhos relaxaram muito; passaram a ser crianças totalmente diferentes. Vendo o nosso segundo filho e o terceiro florescerem, outros pais puseram os filhos na classe especial, e o número de alunos aumentou.

Quero Divulgar Essa Verdade
Eu era tímida e neurótica, preocupava-me com o que os outros pensavam ou com os preconceitos no nosso bairro. À medida que fui aprendendo a gostar do caráter especial dos nossos filhos e a combater o dito “senso comum” da sociedade, descobri que eu mesma fiquei mais forte e mais afetuosa.

Minha filha mais velha superou o autismo sozinha, através de seminários em templos, e atualmente trabalha em uma agência de publicidade. Ao ver como os nossos filhos mais velhos estão agora, o médico que os atendia passou a dizer que os distúrbios de comportamento se curam aos vinte anos de idade.

Conhecer verdades como “pais e filhos têm vínculos profundos” e “a criança também é uma alma individual e única” possibilita aos pais a aceitar os filhos e ajudá-los a crescer. Foi o que aprendi com a minha experiência e agradeço aos meus filhos terem me escolhido para ser sua mãe.

Muita gente sofre com filhos com distúrbios parecidos com os dos nossos. Agora minha missão é compartilhar essas Verdades com o máximo de pessoas possível.


1) TDAH: Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade.
2) Nikko Shoja: um templo da Happy

Sobre minha mãe e meu pai
“Meu pais semp re cuidaram de mim com ternura. Sinto que nós
fomos e seremos uma família semp re que nascermos.
Gosto de escrever histórias ou de passear o dia todo e contemp lar.
Tenho muita admiração pelos meus pais, que me deixam fazer o que eu quero.
Acho que co nseguimos superar nossas dificuldades porque encontramos El Cantare.”

por Shion (o filho mais velho)

Histórias de
Experiência de Vida
Revista 193:
“Como Eu Venci o Câncer de Mama”
Revista 193:
Perder Tudo me Levou a Ganhar a Maior Felicidade
Revista 192:
Um a Segunda Chance na Vida Através da Fé
Revista 191:
Da Pura Fé a uma
Vida de Prosperidade
Revista 190:
O Meu Tumor Desapareceu em Apenas Dois Meses
Revista 189:
Três relatos de participantes do retiro: “Os Oito Corretos Caminhos”
Revista 188:
Refletindo Sobre
a Infância

Experiência de Ursula Forster
Revista 187:
Despertando
para a Luz Interior

Experiência de Yuko von Rothkirch
Revista 186:
Acreditar que Seu Caráter Brilhará
Experiência de Miyako Tsuchimine
Revista 185:
Um Acidente Levou-me à Gratidão
Experiência de Kikue Shimokawa
Revista 184:
Minha Luta Contra a Diabetes
Experiência de Alex Paz
Revista 183:
Descobrindo o Verdadeiro Eu
Experiência de Melody Powell
Revista 182:
A Coragem de Viver Criativamente
Experiência de Kayo Hayashi
Revista 181:
Lidando com meu filho rebelde
Experiência de Kayo Hayashi
Revista 180:
Trazendo mudança ao escritório
Experiência de Tomoko Saeki
Revista 179:
À beira do divórcio e de volta
Experiência de Shoko Hasegawa
Revista 178:
A vida é um caderno de exercícios
Experiência de Kaoru Komatsu
Revista 177:
Despertando para o amor que me foi dado
Experiência de Etsuko Maruyama
Revista 176:
Um novo modo de crescer
Experiência de Shigeharu Shimamura
Revista 175:
A adversidade é a maior oportunidade
Experiência de Kaoru Inoue
Revista 174:
Superando o meu ego com a Verdade
Experiência de Steve Bortignon
Revista 173:
Voltarei a vê-lo no céu
Experiência de Yasuyo Sugimoto
Revista 172:
Do fracasso ao successo
Experiência de Robert Lutuwama
   
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