Tema em Foco - Ensinamentos do Mestre Ryuho Okawa
Extraído da palestra “Vamos Ser Felizes” (templo local de Matsuyama, 11 de maio de 2008)
 
Encontrar a Felicidade na sua Família
 

Revista Happy Science
Ciência da Felicidade - Edição 181

O que é “dar amor”
Hoje eu gostaria de abordar um tema simples: “Ser feliz”. Espero facilitar a compreensão mesmo daqueles que estão apenas começando a ler meus livros.

Na Happy Science, nós valorizamos muito a doutrina do “amor”. Uma característica dos nossos ensinamentos é distinguir claramente “amor” de “apego”. A concepção de amor da maioria das pessoas gira em torno da ideia de “ser amado”. Coisa que também podemos chamar de “amor que recebemos dos outros”.

O amor que pregamos na Happy Science é o “amor que se dá”. No budismo, “dar amor” equivale a “compaixão”. Para quem nunca estudou as filosofias da religião, é difícil chegar a esse tipo de concepção. A noção de “dar amor” não passa pela cabeça da maioria das pessoas que tiveram apenas uma educação formal e não entraram em contato com nenhuma forma de religião.

“Se eu o amo, por
que ele me rejeita?”

Muita gente se prende a uma ideia errônea de amor. Não falta quem pense que ama seus entes queridos e pratica o amor, mas geralmente o que essas pessoas fazem é criar agonia devido a uma noção equivocada de amor.

 
“Na Happy Science, nós valorizamos muito a doutrina do ‘amor’.
Uma característica dos nossos ensinamentos é distinguir
claramente ‘amor’ de ‘apego’.”
 

Por exemplo, consideremos o amor de um pai ou mãe pelo filho. Todos os pais e mães dizem que naturalmente prezam e amam os filhos. Tenho certeza de que acreditam sinceramente que amam os filhos e vivem por eles. Apesar disso, muitos filhos trilham um caminho próprio e rejeitam seus genitores. Eu imagino o número de pais que lutam para entender por que os filhos se ressentem deles e se recusam a lhes dar ouvidos, ou por que dizem coisas ruins a seu respeito, ao passo que eles tanto prezam e amam os filhos. A delinquência juvenil, a rebeldia e o fugir de casa, pais brigando por causa dos filhos... Eles se perguntam: “Eu gosto tanto do meu filho, por que isso está acontecendo?” No entanto, pode ser que o problema se deva justamente a essa maneira de pensar.

O amor pode encurralar o filho
Um exemplo é o caso do pai ou mãe que espera resultados dos filhos e só dá amor quando eles atingem um objetivo. Muitos fazem isso.

Isso mostra que a sociedade está se tornando cada vez mais masculina. Os mundos dominados pelos homens, como as grandes empresas, procuram cada vez mais resultados. E esse modo de pensar fundado no desempenho está sendo levado para dentro de casa.

São muito comuns os casos de mães que contam com o sucesso dos filhos. Amam os filhos desde que eles atinjam suas metas. Do contrário, enfurecem-se e os repreendem em vez de amá-los. Claro que há ocasiões em que convém os pais reagirem assim. Quando os filhos tiram boas notas, destacam-se no esporte ou são admirados pelas suas obras de arte, é natural que os pais os elogiem, já que estão satisfeitos. O problema surge quando eles impõem condições ao seu amor.

Para os filhos, isso é bom enquanto seus objetivos são alcançáveis. Caso contrário, eles desafiam os pais para se proteger. As crianças cujos pais dizem “Se você não acatar as minhas condições, eu não vou mais gostar de você” receiam ser abandonadas um dia. Sentem o contrário do amor, que é o medo.

Os filhos podem se esforçar muito para ter bom desempenho, mas às vezes a imposição colocada pelos pais é alta demais. Quando isso acontece, a criança procura se proteger rebelando-se contra eles, recolhendo-se em seu próprio mundo ou fugindo de algum outro modo. A delinquência juvenil, a rebeldia e o escapismo às vezes são consequência do “amor condicional” dos pais.

 
“As crianças cujos pais dizem ‘Se você não acatar as
minhas condições, eu não vou mais gostar de você’ receiam ser abandonadas
um dia. Sentem o contrário do amor, que é o medo.”
 

Se você considera os filhos como “propriedade” sua
As mulheres tendem a encarar a família como “propriedade” sua. São possessivas com o marido e os filhos.

Nas famílias em que a relação pais e filhos vai bem, a mãe costuma dizer: “A única coisa que eu fiz foi pari-lo. Foi você que se empenhou e conquistou o sucesso.” Assim o filho não se rebela. Entretanto, nos casos em que a relação não vai bem, geralmente vemos o contrário.

Os filhos se rebelam quando sentem que os pais os consideram uma propriedade. Imagine ouvir a mesma história arrogante durante dez anos ou mais: “Foi tão difícil e doloroso dar à luz.” “Na época, nós estávamos sem dinheiro porque seu pai tinha perdido o emprego e passava o dia zanzando dentro de casa.” “Meu corpo nunca mais voltou a ser como antes porque a gravidez arruinou a minha saúde e os meus ossos.” Palavras assim magoam qualquer um. Ouvir os pais repetirem a mesma história como um gravador quebrado leva qualquer filho a ficar ressentido e perguntar: “Quantas vezes ela vai repetir isso?” Então, quando estiverem na sexta ou sétima série, eles tentam fugir dos pais.

 
“As mulheres tendem a encarar a família como ‘propriedade’ sua [...]
Os filhos se rebelam quando sentem que os pais os consideram uma propriedade.”
 

Os pais devem perceber isso e indagar: “Por que os meus filhos estão tentando fugir de mim?” Eles fogem porque os pais vivem repetindo a mesma coisa. Ao dizer que foi muito difícil, impõem uma dívida aos filhos e os lembram constantemente de que eles precisam pagá-la. Isso não torna a criação do filho uma virtude da mãe.

O amor que “apenas dá” torna-se virtude
A criação do filho só se torna uma virtude quando consiste em “apenas dar”. “O meu papel é o de dar apoio. Criar um filho vale a pena e compensa por si só. A única coisa que eu quero para o meu filho é uma vida feliz.” Quando os pais pensam assim, os filhos não fogem deles.

Por outro lado, quando o pai ou mãe pretende cobrar dos filhos o muito que lutou e sofreu, eles têm vontade de fugir. Se lhes disserem constantemente o quanto eles devem aos pais, os filhos terão vontade de ir embora porque ninguém gosta de cobrador, mesmo que este seja o próprio pai ou mãe. Se o seu filho está se distanciando de você, procure refletir e veja se você não criou o hábito de lembrá-lo da “dívida” que ele tem.

Você confunde ciúme com “amor”?
Numa relação conjugal, muitos confundem o ciúme, que provém do medo de perder o parceiro, com o amor.

É verdade que, quando o amor entre um homem e uma mulher floresce, nasce certa quantidade de ciúme, e os dois se tornam “exclusivos”, de modo que ninguém pode se interpor entre eles. Contudo, é preciso saber que o ciúme deixa de ser amor quando se torna excessivo e chega a extremos. Já não se trata de amor, e sim de um ciúme que constrange o parceiro e tolhe a liberdade. Ambos sofrem sob um peso enorme. Ninguém aguenta ficar sob o escrutínio frequente da esposa ou sempre vigiada pelo marido.

O amor deve ser algo que faz a ambos felizes, mas pode se transformar facilmente numa coisa que destrói a liberdade, magoa ou constrange os outros. É fácil confundir ciúme com amor. Por isso, convém saber e recordar que “ciúme” e “amor” não são a mesma coisa.

Acreditar na outra pessoa
O ciúme é instintivo e difícil de eliminar, mas, nessas ocasiões, convém perceber que o que você sente não é amor verdadeiro. É preciso respeitar o parceiro ou parceira e dar-lhe liberdade até certo ponto. É preciso acreditar na outra pessoa.

Isso vale não só para marido e mulher, mas também para pais e filhos. Por mais que o pai ou a mãe se preocupe com os filhos, não pode vigiá-los 24 horas por dia. Quando os filhos estão no colégio, brincando com os amigos ou participando de um programa extracurricular, o genitor não sabe o que eles estão fazendo, já que é impossível monitorá-los permanentemente.

Coagi-los e mantêlos com “rédea curta” não é necessariamente amor. Se este se transformar em ciúme, reflita sobre isso e procure dissolver tal sentimento, porque esse tipo de ciúme arrisca se tornar uma coisa infernal.

A sabedoria para eliminar o ciúme
Suprimir o sentimento de ciúme é ser um adulto “inteligente”. Você precisa restringir seu ciúme. Precisa respeitar o seu parceiro ou parceira como um indivíduo independente.

O mesmo se aplica à relação pais e filhos enquanto os filhos ainda estão crescendo, assim como à relação entre cônjuges e outras parcerias. Há áreas em que você pode intervir, mas, há áreas em que é preciso deixar o outro agir sozinho e com independência. Dizer: “Como eu o amo, vou prendê-lo para que você não fuja” ou “Vou protegê-la contra qualquer predador cercando-a com uma rede” é o mesmo que apertar o pescoço do parceiro a ponto de asfixiá-lo.

Uma esposa muito persistente é capaz de telefonar para o escritório do marido para averiguar a que horas ele saiu do trabalho. Caso ele chegue tarde a casa, dizendo que fez hora extra, ela o pressiona e pergunta, “Afinal, até que horas você ficou trabalhando?” Isso é “encurralar” a pessoa, não amá-la. Se virmos a situação do ponto de vista do marido, ele poderia ir para casa se a esposa não o importunasse tanto. Mas, como ela insiste em investigar como se fosse um detetive, ele não volta para casa mesmo que queira.

Sendo adultos maduros, às vezes nós temos de dar liberdade aos outros. Precisamos compreender que todos precisam de privacidade.

Aumentar a capacidade de amar
Eu falei em vários aspectos do amor, porém, o mais importante é saber amar reconhecendo que a outra pessoa é um indivíduo independente, criando um relacionamento maduro, seja entre marido e mulher, seja entre pais e filhos. Só assim o amor há de durar.

Sua “capacidade de amar” pode melhorar. Convém os dois se empenharem em criar um relacionamento maduro. Além disso, para evitar que o amor se transforme em apego, um não deve impor obrigações ao outro. Pelo contrário, tenha sensibilidade para o sentimento de afeto que surge naturalmente dentro de você.

Fim da palestra.

“[...] o mais importante é saber amar reconhecendo que a outra
pessoa é um indivíduo independente, criando um relacionamento maduro, seja entre marido e mulher, seja entre pais e filhos. Só assim o amor há de durar.”
 
 
Índice
Revista 194:
A Verdadeira Causa do Câncer
Revista 193:
Visita do Mestre à Índia e ao Nepal
Revista 192:
O Caminho para a Saúde Perfeita
Revista 191:
Como Cultivar a Prosperidade
Revista 190:
Ciclo de Palestras do Mestre no Brasil
Revista 189:
Os Métodos de Autoreflexão
Revista 188:
Provações e Independência da Criança
Revista 187:
Seja Infinitamente Amável
Revista 186:
A Maturidade Espiritual
Revista 185:
Sinta o Milagre
Revista 184:
O Caminho da Saúde Definitiva
Revista 183:
Enfrentando os Mares Turbulentos do Destino
Revista 182:
Atrair Novas Ideias & Aprender no Trabalho
Revista 181:
Encontrar a Felicidade na sua Família
Revista 180:
Viver Criativamente
Revista 179:
Utopia no Coração
Revista 178:
Adquirindo uma Consciência mais Elevada
Revista 177:
Os Estágios do Desenvolvimento do Amor
Revista 176:
O Caminho do Sucesso
Revista 175:
Enfrentando a Depressão
Revista 174:
Gestão Baseada no Tempo
Revista 173:
Viver para Amar
Parte 2
Revista 172:
Viver para Amar
Parte 1
Revista 163:
Como superar o Perfeccionismo
Revista 162:
Como vencer a doença
Revista - Maio de 1997
Sinalização para a Felicidade - Parte II
Revista - Abril de 1997
As Circunstâncias Espirituais de uma Guerra
Revista - Abril de 1997
Sinalização para a Felicidade - Parte I
Revista - Março de 1997
Como evitar espíritos obsessores
Revista - Março de 1997
O Prelúdio da Nova Era
Revista - Janeiro de 1997
O Correto Conhecimento do Mundo Espiritual
Revista - Janeiro de 1997
Um Dia, Uma Vida
   
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