Tema em Foco - Ensinamentos do Mestre Ryuho Okawa
minimizar o pensar em si ---> abrir-se para as possibilidades ---> perdoar
Palestra ministrada na Sucursal Musashino Shibu, em novembro de 2007
 
A Maturidade Espiritual
 

Revista Happy Science
Ciência da Felicidade - Edição 186

O objetivo da religião é ajudar-nos a crescer como pessoas
O objetivo fundamental da religião é ajudar-nos a crescer como seres humanos. É esse crescimento que nos permite superar e eliminar os problemas, os conf litos, a frustração e o sofrimento que às vezes nos parecem invencíveis. Uma parte do crescimento consiste em encontrar respostas para os nossos problemas individualmente, mas a outra implica nos desenvolvermos rumo a um nível superior. Se chegarmos a tanto, os problemas se tornam comparativamente menores.

O que leva as pessoas a não conseguirem escapar dos problemas que as afligem é a incapacidade de transcender a visão pequena que elas têm de si mesmas. Cada qual se vê como uma existência ínfima, separada de todas as outras e do mundo, e, por isso, não consegue resolver os problemas. Essa autolimitação que nos impomos provém de uma mentalidade egocêntrica, autocentrada. Por isso é importante perceber que é justamente esse egocentrismo que nos leva a enxergar os problemas enormes e a ficar paralisados, sem ação.

Restringir o tempo que você passa pensando em si
Hoje eu quero falar em três princípios que julgo imprescindíveis para alcançar a maturidade espiritual.

O primeiro é não passar muito tempo pensando em si e nos seus sentimentos. “Isso vai me magoar?” “Será bom ou ruim para mim?” “E eu?” Eu, eu, eu. Qual é o sujeito dessas frases? Sempre você. Vamos substituir o sujeito dessas frases por outra pessoa que não você.

 
“ O objetivo fundamental da religião é ajudar-nos
a crescer como seres humanos. É esse crescimento
que nos permite superar e eliminar os problemas,
os conflitos, a frustração e o sofrimento...”
 

Tome a pessoa a que você atribui a culpa de seu infortúnio como sujeito de suas frases. É possível que você sinta: “O meu marido é a causa de meus problemas.” “Eu não sofreria tanto se o meu filho não fosse o fracassado que é.” “É tudo culpa do meu patrão.” Mas procure mudar seu modo de pensar sempre que esse “eu, eu, eu” vier à mente. “O que será que o meu marido acha disso?” “O que o meu filho pensa de mim?” “Como o meu patrão me vê?” Desvie o enfoque para os outros e tente levar em conta o que eles sentem.

Para quem tem o pensamento autocentrado, é difícil ser verdadeiramente feliz. Se a única coisa em que você consegue pensar é se vai se magoar ou se é feliz ou não, pode ter certeza de que nunca será feliz. Na verdade, as pessoas felizes passam um mínimo de tempo pensando em si.

Quando você entender isso, vai deixar de pensar em si. Minimize o tempo que passa pensando em si e maximize o tempo que passa pensando nos outros.

Abrir-se para diversas possibilidades
O segundo princípio é reconhecer outros pontos de vista. Muita gente tende a aceitar unicamente os pontos de vista que lhe são convenientes. Coisa que está ligada ao primeiro princípio. Pensar nas coisas só de um jeito.

Imagine uma mãe eternamente preocupada com o tempo. Tem a agenda sempre repleta, e, se os filhos não se ajustarem direitinho a essa agenda, ela se zanga. Pouco importa que eles sejam bem comportados em tudo o mais; é imperdoável os filhos não serem pontualíssimos.

Para nós, é fácil ver uma coisa desde uma perspectiva única e aplicá-la a tudo, e geralmente nem percebemos que fazemos isso. As pessoas acham que, como essa é a sua maneira de viver, os outros devem fazer o mesmo.

 
“Portanto, ser capaz de ver as coisas de
diferentes modos e de reconhecer o lado
positivo de diversas pessoas faz parte do
nosso crescimento como seres humanos.”
 

Um outro poderia ver essa mesma criança e dizer: “Ora, o garoto pode ser meio atrapalhado com o tempo, mas é simpático e sociável. “É um sujeito tão amigável que às vezes não percebe o tempo passar e perde a hora.” Portanto, ser capaz de ver as coisas de diferentes modos e de reconhecer o lado positivo de diversas pessoas faz parte do nosso crescimento como seres humanos.

A gente precisa enxergar que pode haver um modo de pensar ou viver que vale a pena, muito embora não goste dele ou o rejeite. Às vezes, nós escolhemos um aspecto nosso, do qual gostamos muito, e passamos a desprezar as pessoas que não o têm. Tal atitude pode fazer com que algo que lhe dá felicidade acabe fazendo-o infeliz mais tarde, se você não tiver cuidado.

Ser capaz de perdoar é essencial à sua felicidade
O terceiro princípio que quero apresentar está ligado aos outros dois e é essencial a uma vida feliz: trata-se do ato de perdoar. Essa tarefa complexa também pertence ao reino da religião.

Não é fácil perdoar. Fácil é julgar os outros. Nós lhes dizemos o que é certo e o que é errado e, desse modo, tentamos fazer com que eles sejam como achamos que devem ser. A menos que nos esforcemos para mudar esse hábito, isso nunca deixará de acontecer naturalmente. Temos de conhecer a verdade religiosa e perceber que o perdão tem um poder genuíno.

Na maioria das vezes, o que torna suas relações tensas e o faz infeliz é você ser amargo, estar zangado e detestar alguém. É ver nos outros, a causa de sua infelicidade. É bem possível que você tenha razão em parte, mas os outros provavelmente hão de dizer a mesma coisa a seu respeito. Por exemplo, um caminhão atropela e mata seu filho. Diante dessa tragédia, você talvez queira que o motorista fique mofando na cadeia até o fim da vida, sem liberdade condicional ou, quem sabe, que seja condenado à morte. Você ficaria entregue ao ressentimento, coisa muito natural. Mas esse ressentimento não lhe trará nenhuma felicidade. Por mais triste que tenha sido a perda de seu filho, agora você se deixou consumir pelas trevas.

 
“O terceiro princípio que quero apresentar
está ligado aos outros dois e é essencial a uma
vida feliz: trata-se do ato de perdoar.”
 

Pode ser que o motorista do caminhão seja também um jovem. Que passa longos turnos na estrada, sem dormir, seu trabalho é exaustivo. Provavelmente também tenha família: pais, esposa, filhos, irmãos. E eles também devem estar sofrendo, mas isso dificilmente lhe passa pela cabeça -- só o ódio. Não é fácil controlar o ódio que você sente por aquele que arruinou a sua vida. Ele ferve sem parar. Mas é preciso perdoar.

Nada neste mundo é como a gente quer. Nós temos de estar dispostos a perdoar. Em algum ponto da vida, é preciso ter perdão e pensar: “Vou fazer o possível para perdoar.” “Não vou brigar mais. Chega de pôr a culpa nos outros.” Culpar os outros não me torna nada feliz. O outro também está sofrendo.”Sim, procure perdoar. Você precisa começar a perdoar e continuar perdoando tanto a outras pessoas quanto a você mesmo.

Digamos que, a certa altura da vida, alguém o atacou, insultouo, constrangeu-o, zombou de você e o caluniou. Acontece que passar o resto da existência lembrando-se disso não há de lhe trazer felicidade nenhuma. Por isso, mais vale deixar de lado. E melhor ainda é esquecer. Lembrar só as coisas boas que essa mesma pessoa lhe fez.

Perdão não é um conceito abstrato. Não é apenas uma palavra. É essencial à sua felicidade. Se não for capaz disso, você não terá felicidade neste mundo que compartilha com tantas outras pessoas.

Seja feliz agora, e sua visão do passado mudará
Tenho certeza de que muita gente, na sua vida, não se comporta exatamente como você quer, e deve haver aspectos do seu passado que não foram como você queria. Mas o ato de perdoar lhe permite largar tudo isso e ter paz.

Eu já falei sobre isso antes mas não custa repetir: o passado é imutável. O futuro, contudo, nós podemos mudar. Sobre o passado só podemos fazer uma auto-reflexão, mas o futuro nós podemos criar. Essa ideia é muito comum, porém, eu fui mais adiante e acrescentei que, se mudarmos nossa atitude atual, veremos o passado com uma luz diferente. Se você é feliz agora, significa que cada pessoa que encontrou em sua vida veio para fazê-lo feliz, inclusive o patrão que o demitiu ou a mulher que o abandonou. Elas foram as balizas e a pedra de amolar, deram-lhe muitos conselhos para que hoje você fosse feliz. Todas elas bancaram o vilão malvado a fim de ajudá-lo a trilhar o caminho da felicidade. É por isso que você deve abrir mão dos rancores superficiais.

Todos têm o dever
de ser felizes

Nós não temos simplesmente o direito de ser felizes; temos o dever de sê-lo. Não se trata de um dever somente seu, é um dever de todos. As pessoas de que você guarda ressentimento também têm o direito e o dever de ser felizes.

Ora, o que podemos fazer para cumprir esse dever? Reconhecer a existência dos outros. Há diferentes perspectivas e diferentes modos de viver. As pessoas têm forças diferentes e cada uma tem seus pontos positivos. Algumas coisas que achamos negativas podem, na realidade, conter justamente aquilo que torna uma pessoa brilhante.

Por exemplo, hoje os médicos falam muito em autismo. Mas eu não vejo isso como uma deficiência ou uma doença. Há quem diga que os autistas são, objetivamente, menos inteligentes, mas, para mim, soa como se dissessem que se trata de crianças trabalhosas de lidar. Sim, há muitas crianças com necessidades especiais. Elas precisam de muitos cuidados. Mas nós as chamamos de “crianças problema” porque não queremos satisfazer, lidar com essas necessidades.

O mesmo se aplica a crianças que se recusam a ir à escola e se afastam da sociedade. Não existe um só indivíduo realizado vivo que não tenha apresentado sinais de afastamento social em algum momento da vida. Toda pessoa que realizou algo importante enfrentou períodos de solidão. Ninguém que não tenha passado por tal experiência chegou a uma grande realização. Os inventores, os pesquisadores, todos eles são dados a se recluir. Uma criança pode parecer esquisita, mas nem por isso deixa de ter possibilidades.

Há anos que a palavra “autismo” vem sendo empregada em sentido muito amplo. Os médicos gostam rotular as coisas para sentir que têm controle da situação, e isso deixa os pacientes mais tranquilos. Feito isso, tudo que têm a fazer é prescrever remédios. Mas não se pode dar muito crédito a isso. Todos os seres humanos são filhos de Deus. Todos temos infinitas possibilidades. Podemos mudar e, mesmo que continuemos como somos, temos o direito de ser felizes e podemos sê-lo. Podemos mudar o mundo mudando nossa perspectiva.

 
“Pode parecer um fardo, mas você provavelmente está
nessa situação para aprender uma lição importante:
como amar. A pergunta que se coloca é quanto você
é capaz de suportar e continuar amando,
nutrindo e perdoando.”
 

O pai ou a mãe de uma criança difícil não deve considerar isso um infortúnio. Pode parecer um fardo, mas você provavelmente está nessa situação para aprender uma lição importante: aprender a amar. A pergunta que se coloca é quanto você é capaz de suportar e continuar amando, nutrindo e perdoando. A maior parte das circunstâncias inesperadas que surgem na vida, como a doença e outras coisas que talvez pareçam “irregulares” neste mundo, são testes da sua capacidade de perdoar. Lembre-se que todos os seres humanos podem crescer e cultivar o espírito e, cultivando o espírito, superar todos os erros, toda desventura, tanto dos outros quanto sua própria.

Conclusão da palestra deste mês.

 
Índice
Revista 194:
A Verdadeira Causa do Câncer
Revista 193:
Visita do Mestre à Índia e ao Nepal
Revista 192:
O Caminho para a Saúde Perfeita
Revista 191:
Como Cultivar a Prosperidade
Revista 190:
Ciclo de Palestras do Mestre no Brasil
Revista 189:
Os Métodos de Autoreflexão
Revista 188:
Provações e Independência da Criança
Revista 187:
Seja Infinitamente Amável
Revista 186:
A Maturidade Espiritual
Revista 185:
Sinta o Milagre
Revista 184:
O Caminho da Saúde Definitiva
Revista 183:
Enfrentando os Mares Turbulentos do Destino
Revista 182:
Atrair Novas Ideias & Aprender no Trabalho
Revista 181:
Encontrar a Felicidade na sua Família
Revista 180:
Viver Criativamente
Revista 179:
Utopia no Coração
Revista 178:
Adquirindo uma Consciência mais Elevada
Revista 177:
Os Estágios do Desenvolvimento do Amor
Revista 176:
O Caminho do Sucesso
Revista 175:
Enfrentando a Depressão
Revista 174:
Gestão Baseada no Tempo
Revista 173:
Viver para Amar
Parte 2
Revista 172:
Viver para Amar
Parte 1
Revista 163:
Como superar o Perfeccionismo
Revista 162:
Como vencer a doença
Revista - Maio de 1997
Sinalização para a Felicidade - Parte II
Revista - Abril de 1997
As Circunstâncias Espirituais de uma Guerra
Revista - Abril de 1997
Sinalização para a Felicidade - Parte I
Revista - Março de 1997
Como evitar espíritos obsessores
Revista - Março de 1997
O Prelúdio da Nova Era
Revista - Janeiro de 1997
O Correto Conhecimento do Mundo Espiritual
Revista - Janeiro de 1997
Um Dia, Uma Vida
   
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