Tema em Foco - Ensinamentos do Mestre Ryuho Okawa
fundamento na infância --> treinamento da alma na família --> cultivo da força de caráter
Palestra ministrada na Sede Central, em 23 de março de 2004
 
Provações e Independência da Criança
 

Revista Happy Science
Ciência da Felicidade - Edição 188

A causa fundamental dos problemas da vida encontra-se na família, na infância
Vários problemas ocorrem na família, e muita gente chega à maturidade sem os ter superado. Em consequência, enfrenta dificuldades quando passa a ser membro da sociedade.

O modo de pensar e viver do indivíduo na infância é o ponto de partida na vida, por isso tem um significado importantíssimo. Assim, ao ponderar os vários problemas ou quando a pessoa, já adulta, examina a própria vida, convém refletir de vez em quando sobre o período da infância. Surpreendentemente, a causa fundamental dos problemas da vida pode ser um acontecimento corriqueiro da infância.

Na época, você provavelmente tinha preocupações, ansiedades e angústias e, embora as haja esquecido quando chegou à idade adulta, a verdade é que elas persistem e, muitas vezes, são a causa do que você pensa ou faz na vida. As preocupações ou angústias da infância têm origem na família; por exemplo, há conflitos entre pais e filhos, brigas entre irmãos e relações desencontradas entre os outros membros da família. Também há relações com membros de outras famílias, assim como com os professores, os outros alunos e até mesmo com a organização da escola.

É possível que a criança sinta que não pode compartilhar as suas angústias ou segredos de sua família com outra pessoa. Imaginam que seriam felicíssimas se tivessem nascido em uma família ideal. Mas acontece que a família ideal, sem nenhum tipo de problema, simplesmente não existe. Toda família apresenta pontos positivos e negativos, toda família tem um ou outro tipo de problema. A casa vai se transformando em um verdadeiro inferno à medida que os problemas na família se agravam.

Entretanto, ao nascer neste mundo, embora seu corpo de bebê seja fisicamente pequeno e sua alma tenha encolhido para caber nesse corpinho, cada pessoa já vem com a alma de adulto. Todos foram uma alma adulta antes de nascer neste mundo e todos nasceram com o propósito de ter uma vida respeitável. Neste sentido, convém saber que os seres humanos não nascem apenas para ter vida mansa e simplesmente se divertir.

O objetivo da existência na terra é o fortalecimento da alma, o aprimoramento do coração e a construção de um grande caráter à medida que cada um passa por várias dificuldades, adversidades e provações. Esse é o objetivo da vida, por isso todos nascem e se empenham em atingi-lo. Portanto, ser criado numa família ideal nem sempre ajuda a pessoa a alcançar a felicidade. Cada qual enfrenta vários problemas na infância, mas são justamente esses problemas que lhe permitem encontrar pistas para a descoberta de si. Toda criança tem problemas próprios, portanto é difícil generalizar. Mas, ao passo que algumas dificuldades provêm dos problemas particulares da criança, outras estão ligadas aos problemas da família, ou seja, dos pais ou irmãos.

 

“A causa fundamental dos problemas da vida
encontra-se na família... ao ponderar os vários
problemas na vida adulta, convém refletir de
vez em quando sobre o período da infância.”

 

Como eu costumo dizer, a vida é um caderno de exercícios, e a família de cada um também é um caderno de problemas. Não há duas famílias exatamente com o mesmo problema; todas têm lá as suas pequenas diferenças. Tampouco existe caderno de exercícios com as respostas prontas. Cada família tem os seus problemas e precisa enfrentá-los. Pode ser que você ache que os problemas da sua família são únicos e dificílimos, mas, como diz o ditado, a grama do vizinho é sempre mais verde. Os pertences da outra pessoa, sejam quais forem, geralmente parecem melhores que os nossos.

Mas as outras famílias podem estar simplesmente tentando impressionar, revelando unicamente aquilo que vai bem ou falando apenas em coisas boas. Pais e filhos tendem a só revelar as coisas boas da família e a esconder os problemas. De modo que não é fácil enxergar as inquietações e angústias das outras famílias. Mas, na infância, a gente não percebe isso facilmente. As crianças pensam naquilo que lhes falta. Imaginam como seria se o tivessem em abundância e invejam as famílias que o têm. Mas a criança da família invejada também enfrenta os seus problemas. Não perca isso de vista.

Eu sempre os aconselho a não pôr a culpa de seus problemas nos outros nem no ambiente. É verdade que, às vezes, essas coisas realmente são a causa dos problemas, mas não esqueçam que as dificuldades e as pessoas existem para que cada um aprofunde o seu entendimento e alcance a iluminação na vida.

O treinamento da alma começa no seio da
família como parte da sociedade
Acho muito difícil para a criança olhar para a própria família a partir de uma perspectiva externa e ver como ela seria aos olhos dos outros, muito menos compreender como encarar os problemas dos pais, embora chegue a percebê-los vagamente.

Todas as famílias têm problemas próprios. Como a criança há de superá-los? Os problemas que não foram resolvidos na infância provavelmente ressurgirão quando ela for adulta e casada e tiver sua própria família. Tornará a enfrentar os mesmos problemas até encontrar a solução. Através dessa experiência, ela passa a vida toda indagando o que seria uma família ideal.

Ao pensar nisso, tem somente os próprios pais como modelo, pouco importa se eles foram bons ou ruins. Por isso os pais são mestres importantíssimos. São modelos tanto bons quanto ruins.Os filhos também são modelos de bons ou maus alunos para os pais. Assim, o treinamento da alma se inicia na família – sendo a família um compartimento da sociedade.

Em termos budistas, os problemas recorrentes podem ser chamados de “carma” da família. Quando esta tem problemas que os pais não conseguem resolver por falta de compreensão espiritual, os filhos, sendo criados nesse ambiente, também esbarram nas mesmas questões.

Confrontados com os mesmos problemas, têm de decidir se lidam com eles do mesmo modo que os pais ou de modo diferente. Quando a pessoa cresce, sempre chega a hora de passar pelo teste. Que caminho escolher, o mesmo dos pais ou outro diferente? Por mais que você respeite os seus pais, às vezes se sente rebelado contra eles. Mesmo que admire alguns de seus aspectos, revolta-se contra outras coisas que porventura eles digam ou façam. É natural a criança ter simultaneamente diferentes atitudes em relação aos pais.

É comum ouvirmos falar em períodos de rebeldia nas crianças: o primeiro deles vai da idade do jardim-de-infância até o início do ensino fundamental, o segundo começa na idade da sexta ou sétima série e se estende até o início do ensino médio. Mas, na verdade, a expressão “período de rebeldia” não é adequada para denominar essas fases, pois as crianças estão apenas tentando crescer mais depressa. Tentam crescer como um broto de bambu; este cresce brotando no chão e livrando-se da pele velha. Com isso, vivenciam a resistência. Os pais servem de modelo: pessoas que elas esperam vir a ser quando crescerem.

Os pais procuram ajudar os filhos a crescer, mas sabotam esse crescimento quando dizem “Não faça isso” ou “Não faça aquilo”, impedindo-os de fazer o que eles acreditam que sejam erros. Agem assim porque isso corresponde aos seus valores.

Porém, entre a geração dos pais e a dos filhos, geralmente há uma diferença de mais ou menos trinta anos. Ao observar o comportamento dos amigos, os filhos não veem nenhum mal em seus atos. No entanto os pais ou desconhecem as tendências atuais do mundo, ou não procuram entender as mudanças ocorridas entre uma geração e outra. Tentam fazer com que os filhos acatem os seus valores contando-lhes o que eles viveram trinta anos antes, mas os filhos não podem aceitar suas palavras e se revoltam.

Portanto, a questão não é saber quem está certo. Sempre há conflito entre os que viveram em uma época mais antiga e os que estão tentando viver em novos tempos.

 

“Confrontados com os mesmos problemas,
as crianças têm de decidir se lidam com eles
do mesmo modo que os pais ou de modo
diferente. Quando a pessoa cresce, sempre
chega a hora de passar pelo teste.”

 

As crianças crescem depressa como brotos de bambu. Mesmo que os pais queiram impedi-las, elas vão ficando cada vez mais altas, transpondo obstáculos ou curvando-se e crescendo para o lado. Os que crescem verticalmente, abrindo caminho pelo teto, são crianças fortes, mas os que não conseguem crescer em linha reta curvam-se como o bambu para contornar os obstáculos. Aos olhos dos pais, pode parecer que esses filhos estão se desviando do caminho certo.

Todas as crianças procuram crescer, mas o modo como crescem varia de indivíduo para indivíduo.

Cultive a força de caráter para superar os desafios
Do ponto de vista espiritual, os problemas familiares também são causados pela influência espiritual negativa. Algumas crianças vão mal na escola. Às vezes, vão mal também em casa e fracassam nos exames de admissão, no esporte, etc. Porém, mesmo quando crescem e saem ao mundo, continuam enfrentando muitos fracassos e reveses.

Reveses são as ocasiões em que as coisas não correspondem às suas expectativas por causa do juízo das outras pessoas, por causa dos outros obstáculos ou fracassos. Isso continua mesmo quando a pessoa cresce e se torna adulta. Mas é preciso superá-los. É preciso perseverar.

Atualmente, o grande problema é que a vontade de perseverar das pessoas está decrescendo. Devido à baixa taxa de natalidade, muitas famílias têm um só filho geralmente superprotegido pelos pais. Por serem criadas com tanta proteção, muitas crianças perdem a determinação ou perseverança. Por isso eu quero que você cultive uma forte determinação de superar qualquer problema que enfrentar na vida.

Acredito que a fé é um guia para que você viva assim. Com fé, os seres humanos encontram a vontade de perseverar mesmo que não tenham mais nada. Com fé você pode alcançar a felicidade.

 

“Com fé, os seres humanos encontram a vontade
de perseverar mesmo que não tenham mais nada.
Com fé você pode alcançar a felicidade.”

 

Como eu sempre explico, quando você deixar este mundo e retornar ao outro, a única coisa que levará consigo é a sua alma. As coisas deste mundo que agora são fonte de preocupação ou de sentimento de inferioridade, você não as pode levar ao outro mundo quando deixar o corpo físico. A formação acadêmica, o dinheiro, o corpo físico, a altura e o peso, tudo isso é coisa que ninguém leva para o outro mundo. Ninguém leva nenhuma dessas fontes de preocupação deste mundo. Você só pode levar consigo a sua alma. Logo, o importante é aprender a fazer a mente brilhar e enfrentar corajosamente os muitos problemas que surgem na vida. Essencialmente, o que importa é o quanto cada um consegue aprimorar a alma.

O fato de ter muitos problemas significa que você está passando por um intenso treinamento para o aprimoramento espiritual, coisa que você deve agradecer. Quanto mais rigorosa for a lapidação, mais lisa a superfície se torna e mais bonita fica a pedra preciosa.

Eu quero que você compreenda profundamente que, seja qual for o seu ambiente, ele é apenas o meio pelo qual você pode aprimorar a alma. Obrigado pela atenção.

Fim da palestra deste mês

Índice
Revista 194:
A Verdadeira Causa do Câncer
Revista 193:
Visita do Mestre à Índia e ao Nepal
Revista 192:
O Caminho para a Saúde Perfeita
Revista 191:
Como Cultivar a Prosperidade
Revista 190:
Ciclo de Palestras do Mestre no Brasil
Revista 189:
Os Métodos de Autoreflexão
Revista 188:
Provações e Independência da Criança
Revista 187:
Seja Infinitamente Amável
Revista 186:
A Maturidade Espiritual
Revista 185:
Sinta o Milagre
Revista 184:
O Caminho da Saúde Definitiva
Revista 183:
Enfrentando os Mares Turbulentos do Destino
Revista 182:
Atrair Novas Ideias & Aprender no Trabalho
Revista 181:
Encontrar a Felicidade na sua Família
Revista 180:
Viver Criativamente
Revista 179:
Utopia no Coração
Revista 178:
Adquirindo uma Consciência mais Elevada
Revista 177:
Os Estágios do Desenvolvimento do Amor
Revista 176:
O Caminho do Sucesso
Revista 175:
Enfrentando a Depressão
Revista 174:
Gestão Baseada no Tempo
Revista 173:
Viver para Amar
Parte 2
Revista 172:
Viver para Amar
Parte 1
Revista 163:
Como superar o Perfeccionismo
Revista 162:
Como vencer a doença
Revista - Maio de 1997
Sinalização para a Felicidade - Parte II
Revista - Abril de 1997
As Circunstâncias Espirituais de uma Guerra
Revista - Abril de 1997
Sinalização para a Felicidade - Parte I
Revista - Março de 1997
Como evitar espíritos obsessores
Revista - Março de 1997
O Prelúdio da Nova Era
Revista - Janeiro de 1997
O Correto Conhecimento do Mundo Espiritual
Revista - Janeiro de 1997
Um Dia, Uma Vida
   
Templo Happy Science
Rua Domingos de Morais, 1154 - Vila Mariana - SP
Tel: (11) 5088-3800
© Copyright 2009 ~ 2017
39 usuários online